quinta-feira, 4 de março de 2010

Participação de Pastor e Médico Adventista no Genocídio de Ruanda

Jornalista Descreve Participação de Pastor e Médico Adventista no Genocídio de Ruanda




Entre abril e julho de 1994 mais de um décimo da população de Ruanda foi exterminada, num genocídio só comparável ao Holocausto dos judeus sob o nazismo. Patrocinada pelo governo ruandês, a maioria hutu massacrou a minoria tutsi diante da indiferença da chamada "comunidade internacional". A tragédia, supostamente motivada pelo "ódio ancestral" entre as duas etnias, teve na verdade origens políticas e econômicas muito concretas.

"Começamos a ver grupos de sujeitos se reunindo naquela mesma noite, e quando saímos de manhã para trabalhar, vimos esses grupos junto com os líderes locais do Poder Hutu, organizando a população. A gente não sabia exatamente o que havia, só sabia que alguma coisa estava para acontecer.

No trabalho, Samuel observou "uma mudança de clima”. Ele disse que "ninguém conversava mais com ninguém, e muitos de seus colegas passavam todo o tempo em reuniões com um certo dr. Gerard, que não fazia segredo de seu apoio ao Poder Hutu.

Samuel ficou chocado com isso, porque o dr. Gerard fora educado nos Estados Unidos, e era filho do presidente da Igreja Adventista em Kibuye, portanto era visto como uma figura de grande autoridade, um líder da comunidade - alguém que serve como exemplo.

Dizia-se que um pastor adventista e seu filho colaboraram estreitamente com o prefeito na organização da chacina em Rwamatamu. Mas talvez Samuel não tenha ouvido a respeito disso dos feridos que encontrou, que chegavam "baleados ou atingidos por granadas, amputados de um braço, ou uma perna. Ele ainda imaginava que Mugonero pudesse ser poupada.

Em 12 de abril, o hospital estava lotado por uns 2 mil refugiados, e o suprimento de água fora cortado. Ninguém podia sair. Milicianos e membros da Guarda Presidencial haviam sitiado o complexo. Mas quando o dr. Gerard soube que várias dúzias de hutus estavam entre os refugiados, arranjou para que fossem evacuados. Ele também trancou a farmácia, negando tratamento aos feridos e doentes - porque eram tutsis, disse Samuel.

Espiando para fora de seu cativeiro, os refugiados no hospital viam o dr. Gerard e seu pai, o pastor Ntakirutimana, rodando para cima e para baixo com milicianos e membros da Guarda Presidencial.

Os refugiados se perguntavam se aqueles homens haviam esquecido seu Deus.

Entre os tutsis no complexo da igreja e hospital de Mugonero estavam sete pastores adventistas que logo assumiram seu papel costumeiro de líderes do rebanho. Quando dois policiais apareceram no hospital para anunciar que seu trabalho era proteger os refugiados, os pastores tutsis fizeram uma coleta e levantaram quase quatrocentos dólares para os policiais.

Por vários dias, tudo esteve calmo. Então, quando caía a noite de 15 de abril, os policiais disseram que tinham de partir porque o hospital seria atacado na manhã seguinte. Foram embora num carro com o dr. Gerard, e os sete pastores aconselharam seus companheiros refugiados a se preparar para o fim. Então os pastores sentaram juntos e escreveram cartas para o prefeito e para o superior deles, pastor Elizaphan Ntakirutimana, o pai do dr. Gerard, pedindo a eles em nome de Deus que intercedessem a seu favor.

E a resposta veio disse Samuel. "Foi o doutor Gerard que a anunciou: Sábado, dia 16, às nove em ponto da manhã, vocês serão atacados, Mas foi a resposta do pastor Ntakirutimana que arrasou o espírito de Samuel, e ele repetiu duas vezes, bem devagar, as palavras do presidente da igreja: "Já foi encontrada uma solução para o seu problema. Vocês devem morrer.

Um dos colegas de Samuel, Manase Bimenyimana, lembrava da resposta de Ntakirutimana de um modo ligeiramente diferente. Ele me disse que as palavras do pastor foram: "Vocês devem ser eliminados. Deus não quer mais vocês

Manase partiu imediatamente. Fugiu para a cidade vizinha de Murambi, onde se juntou a um pequeno grupo de sobreviventes de outros massacres, que também haviam buscado refúgio em igrejas adventistas. Por quase 24 horas, segundo ele, tiveram paz. Então o dr. Gerard veio com um comboio de milicianos.

Terminada a nefanda tarefa, o Pastor e seu filho médico continuaram em Rwanda por um pouco de tempo. Assim que a situação política se modificou, os dois fugiram. O Pastor foi para os Estados Unidos , colocando-se sob a proteção da corporação asd e morando numa grande mansão. Posteriormente, acabaram presos e condenados -- Elihaj HaRosh.

Quarta-Feira, 19 de Fevereiro, 02:17 PM

Pastor Adventista de Ruanda e Filho Médico São Condenados por Genocídio

NAIRÓBI, Quênia (Reuters) - Um pastor de Ruanda e o filho dele foram condenados na quarta-feira a 10 e a 25 anos de prisão, respectivamente, por um tribunal da Organização das Nações Unidas (ONU) que os considerou culpados de terem contribuído para o massacre de membros da etnia tutsi.



Tribunal da ONU sentencia pastor por genocídio

Arusha, Tanzânia - Um tribunal da ONU sentenciou um pastor ruandês e seu filho médico por genocídio, por eles terem chamado gangues de hutus para assassinar várias pessoas da minoria tutsi que pediram abrigo em uma igreja durante a carnificina de 1994, em Ruanda.

Elizaphan Ntakirutimana, com 78 anos, e Gerald Ntakirutimana, 45, foram sentenciados por genocídio, cumplicidade em genocídio e crimes contra a humanidade por sua participação nos assassinatos de tutsis na igreja Adventista do Sétimo Dia em Kibuye, Ruanda, em 16 de abril de 1994.

O julgamento foi realizado no Tribunal Criminal Internacional da ONU para Ruanda, que vem analisando casos envolvendo os principais suspeitos no genocídio. Elizaphan, o pastor da igreja de Kibuye, foi sentenciado a 10 anos de prisão. Gerald, que trabalhou em um hospital associado à igreja, foi sentenciado a 25 anos.

Fonte: http://www.estadao.com.br/agestado/noticias/2003/fev/19/195.htm


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Justiça Americana Decide Extraditar Ex-Presidente de Associação Acusado de Genocídio

O pastor Elizaphan Ntakirutimana, de 75 anos, terá de responder perante o tribunal criminal internacional das Nações Unidas por sua alegada participação no genocídio de 500 mil pessoas em Ruanda. A decisão foi tomada hoje (24/01/00) pela suprema corte dos Estados Unidos, que rejeitou a apelação que pleiteava sua não-extradição por não existir tratado dessa natureza entre os Estados Unidos e seu país de origem. Apenas a secretária de estado Madeleine Albright pode agora reverter a situação. Ntakirutimana era o presidente da Associação Adventista em Ruanda. O assassinato de centenas de irmãos "tutsis" ocorreu dentro da igreja num sábado.





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