terça-feira, 7 de junho de 2011

SOJA: MITOS E VERDADES II


                      SOJA: MITOS E VERDADES II





MALEFÍCIOS


Se a soja traz tantos malefícios, como não soubemos deles? Não que médicos e nutricionistas sejam necessariamente desinformados. Na verdade, eles são mal informados por publicações científicas patrocinadas e divulgadas pela indústria da soja.
E mesmo pesquisas sérias, tais quais as feitas pela Embrapa, atenuam ou descrevem de maneira muito vaga os “possíveis” malefícios da soja.
Comecemos a descrição dos malefícios a partir do grão de soja, cozido para ser servido como salada.
Grão de soja: o grão de soja contém uma série de substâncias prejudiciais à saúde, e que recebem o nome de antinutrientes.
O primeiro desses antinutrientes é um inibidor da enzima tripsina, produzido pelo pâncreas e necessária à boa digestão de proteínas. Os inibidores da tripsina não são neutralizados pelo cozimento. Com a redução da digestão das proteínas, o caminho fica aberto para uma série de deficiências na captação da aminoácidos pelo organismo. Animais submetidos em laboratório a dietas ricas em soja sofreram um aumento no tamanho do pâncreas e até câncer.
A não absorção dos aminoácidos atrapalha não só o crescimento e o desenvolvimento, mas também compromete a fabricação de neurotransmissores. A enxaqueca, a dor de cabeça, pânico, ansiedade, até mesmo depressão, são causados, em parte, por um desequilíbrio nos neurotransmissores.
Há também na soja uma substância chamada hemoglutinina, que aumenta a viscosidade do sangue, facilitando sua coagulação. Portadores de enxaqueca já sofrem de uma maior tendência de coagulação de sangue e, portanto, maior propensão a acidentes vasculares. A pior coisa a fazer é ingerir substâncias que agravem essa tendência.
Por fim, há os fitatos (ácido fítico). São substâncias presentes em qualquer semente e que bloqueiam a absorção de cálcio (osteoporose?), ferro (anemia), magnésio (dores crônicas) e zinco (inteligência).
Ocorre que a soja contém mais fitatos do que qualquer outro cereal. E os fitatos da soja não são eliminados por um cozimento lento e prolongado, o que basta para os demais cereais. Para eliminar os fitatos da soja, é necessário um processo longo e caro de fermentação, que pode levar meses.
Proteína de soja: os produtores de soja trabalharam duro para retirar esses antinutrientes do produto final, particularmente a proteína da soja, que é o ingrediente básico em grade parte de produtos à base de soja, que imitam carne e laticínios, incluindo alimentos para bebês e leite de soja.
A proteína de soja não é algo que possa ser feito em casa. Primeiro, os grãos são deixados de molho em uma solução alcalina, de modo a tentar neutralizar ao máximo (mas não totalmente) os inibidores de tripsina. Em seguida, através de solventes químicos e alta temperatura, retira-se da soja o óleo e os carboidratos. Logo após, utiliza-se um banho ácido para precipitação e separação, de forma que vagamente lembra a produção do queijo de soja (tofu). Por último, vem um processo de neutralização através de uma nova solução alcalina. Segue-se a secagem a altas temperaturas e a redução do produto a um pó, praticamente desprovido de proteínas, mas ainda com um resíduo considerável dos antinutrientes.
A propósito, aquela solução alcalina em que a soja é deixada de molho é de n-hexano, nada mais do que um solvente derivado do petróleo, cujos traços ainda podem ser encontrados no produto final, e que pode gerar o aparecimento de outras substâncias cancerígenas. Este derivado do petróleo também destrói a cistina, um aminoácido importante e que, ironicamente, é abundante na carne, no leite e nos ovos, alimentos normalmente evitados pelos ávidos consumidores de produtos à base de soja.
Além disso, o banho ácido em tanques de alumínio faz com que altos níveis de alumínio se tornem presentes na proteína de soja e daí para o leite, entre outros produtos.
Para a produção da proteína texturizada da soja, que irá virar aquele chiclete que chamam de carne de soja, esse pó é novamente exposto a altas temperaturas, para atingir a consistência desejada, mas com a perda de ainda mais proteínas.
Muito do inibidor de tripsina pode ser removido mas, ainda assim, a quantidade residual desse inibidor na proteína de soja pode variar em 500%. Mas como é desprovida de proteínas, pecuaristas que utilizam ração com proteína de soja são obrigados a utilizar suplementos para manter um crescimento satisfatório em seu rebanho (e nós consumimos esses suplementos por tabela).
Nitratos, que são cancerígenos, são também formados no banho ácido, bem como uma toxina chamada lisinoalanina (que pode causar câncer nos rins) e outra chamada nitrosamina, antes mais encontradas em fumantes, e que pode causar câncer no estômago e alhures.
A cereja na soja é a adição de aromatizantes, tais como o glutamato monossódico, na proteína da soja e na carne de soja para mascarar o gosto forte do grão e para imitar o sabor de carne.
Tal qual como acontece com a soja na salada, o uso da proteína na soja também faz aumentar a necessidade por vitaminas E, K, D e B12 e cria deficiências de cálcio, magnésio, manganês, molibdênio, cobre, ferro e zinco. E animais alimentados com rações à base de soja experimentaram um aumento de órgãos, particularmente o pâncreas e a glândula tireóide, além de grandes depósitos de ácidos graxos no fígado.
Leite de soja e alimentos para bebês: os efeitos da soja são ainda piores em se tratando de crianças. Pesquisas nos EUA (onde o consumo de produtos à base de soja já ocorre desde a década de 60) mostram que a exposição diária de crianças a isoflavonas presentes em alimentos voltados para o público infantil era proporcionalmente de 6 a 11 vezes maior que a dose mínima para causar efeitos prejudiciais em adultos consumindo demais alimentos à base de soja.

Aparentemente 25% das crianças em idade de amamentação nos EUA recebem leite de soja ou leite que contenha uma certa quantidade de soja em sua composição. Pesquisadores americanos estimaram que um bebê alimentado exclusivamente com leite e alimentos contendo soja como ingrediente recebe um equivalente em estrogênio a cinco pílulas anticoncepcionais POR DIA. Em comparação, quase nenhum fitoestrogênio foi detectado em laticínios voltados para crianças ou no leite materno, mesmo quando a mãe consome costumeiramente produtos à base de soja. Portanto, pensem bem antes de trocar o leite de vaca pelo de soja só porque dá cólica no bebê.
Cientistas, especialmente no Japão, sabem há anos que produtos à base de soja podem causar problemas de tireóide em bebês. Mas quais são os efeitos desses produtos no desenvolvimento hormonal em crianças, tanto meninos quanto meninas?
Os bebês masculinos passam por um surto de testosterona durante os primeiros meses de vida, quando os níveis ficam equivalentes a de um adulto. Durante esse período, a criança é programada física e mentalmente para exibir as características esperadas na puberdade. Meninos expostos aos fitoestrógenos da soja mostraram índices menores de desenvolvimento físico esperado. Há pesquisadores que até sugerem que a orientação sexual corre o risco de ser influenciada por uma influencia hormonal inesperada.
O que há de concreto é que dificuldades de aprendizado, especialmente em meninos, atingiram proporções epidêmicas a partir da década de 1970. A introdução da soja na composição de alimentos infantis não pode ser descartada como uma possível causa para esse trágico acontecimento. Cabe lembrar que pesquisas em macacos mostraram que a deficiência de hormônio masculino prejudicava o desenvolvimento da percepção espacial (notoriamente mais desenvolvida em homens) bem como prejudicou a capacidade de aprendizado.
Já para meninas, um número crescente delas está entrando na puberdade bem mais cedo que o normal, de acordo com estudos pediátricos americanos. Pesquisadores descobriram que 1% das meninas mostrou sinais de puberdade acelerada, tais como o crescimento de seios ou o aparecimento de pelos púbicos, aos TRÊS anos de idade, enquanto 15% das meninas brancas e quase 50% das meninas negras tinham uma ou ambas essas características aos oito anos. O estudo tinha como objetivo associar o frango – carregado de hormônios – com esse desenvolvimento prematuro, mas na verdade concluíram pelos produtos à base de soja mesmo.
As conseqüências de uma juventude truncada dessa forma são trágicas. Meninas com corpos maduros são obrigadas a lidar com sentimentos e desejos que a maioria delas são incapazes ainda de compreender. E esse desenvolvimento traz consigo ainda uma série de problemas futuros com o sistema reprodutivo, incluindo dificuldade para menstruar, infertilidade e, vejam só, câncer de mama. Diante dessas constatações, Israel, França, Suiça, Austrália e Nova Zelândia recomendaram que se evitasse completamente o consumo de produtos à base de soja pelas crianças.
Por falar em mama, um colega de trabalho, ciente das paranoias desta que aqui escreve, trouxe uma revista (de saúde) masculina que falava de um militar aposentado que teve sua masculinidade minada por peitos inchados (ginecomastia), perda de pelos e redução na libido, com ereções insatisfatórias, um calvário ligado ao consumo excessivo de soja.
Esse militar, por ser intolerante à lactose, tomava 3 litros de leite de soja por dia. Quando seu endocrinologista pediu para cortar o consumo desse leite, os níveis de estrógeno voltaram ao normal, e um dos principais desconfortos da ginecomastia – a hipersensibilidade dos mamilos – diminuiu sensivelmente.
Contudo, ter deixado apenas de tomar o leite não livrou o militar da dificuldade de evitar a soja. Alguns meses depois, os níveis de estrógeno subiram novamente, fazendo ressurgir os efeitos colaterais. O militar descobriu que estava tomando um leite que não era de soja, mas que continha soja em sua fórmula. Deixou de consumir quaisquer produtos que pudessem ter soja, como biscoitos e chocolates, mas as mamas ficaram permanentemente inchadas.
Tofu: nesse mesmo artigo, há uma outra pesquisa feita na Ásia, feita pelos ingleses, que associou produtos de soja à demência. O intuito da pesquisa era inicialmente comprovar que substâncias similares ao estrógeno protegeriam o cérebro.
Descobriram que os participantes com mais de 65 anos, grandes consumidores de tofu, tiveram uma incidência de demência e de problemas de memória três vezes maior em relação aos que consumiam moderadamente.

E OS BENEFÍCIOS?



Nessa hora, quem leu até aqui deve pensar: “Mas, e os benefícios comprovados da soja?”.
Sim, eles existem. A soja tem grandes propriedades antioxidantes, previne câncer. Os japoneses têm a menor incidência de câncer de mama, útero e de próstata. Sem falar das cápsulas de isoflavona.
Mas os japoneses, bem como os asiáticos em geral, têm uma incidência muito maior de outros tipos de cânceres, particularmente no esôfago, no estômago, no pâncreas e no fígado (tal qual as experiências com animais citadas aqui). Em asiáticos ao redor do mundo, há também uma grande incidência de câncer na tireóide.
E mesmo as propriedades anticancerígenas da soja foram obtidas de uma meta-análise de dados feita por institutos de pesquisa fundados ou patrocinados pela indústria da soja.
A meta-análise é, basicamente, o sumário de resultados de diversas pesquisas científicas sobre o mesmo assunto. O uso da meta-análise para tirar conclusões gerais é fortemente criticada pela comunidade científica. Nem é preciso dizer que esses institutos descartaram diversos estudos que poderiam colocar em dúvida as conclusões desejadas.
Outro grupo de estudos descartados foi o que constatou que abriu mão da carne para comer carne de soja não contribui necessariamente para a diminuição do colesterol do sangue.
Quanto ao câncer, uma outra meta-análise conduzida por outro instituto pró-soja não conseguiu uma correlação satisfatória entre o consumo de soja e a incidência de câncer. Ainda assim, a pesquisa concluiu que o consumo de 230 gramas diárias de soja (cientistas japoneses já achavam perigoso consumir mais do que 30 gramas) seria necessário para combater o câncer. Por mais furada que tenha sido essa pesquisa, foi um dos subsídios utilizados pela indústria da soja para sua aprovação da proteína de soja para o consumo humano, junto ao FDA (Food and Drug Association), em 1999.
Enquanto isso, mulheres consomem soja na crença de que estarão protegias do câncer de mama. Em 1996, pesquisadores descobriram que mulheres que consomem proteína de soja ou produtos contendo a proteína (hoje, 70% de tudo que consumimos) tiveram um aumento considerável na hiperplasia epitelial, uma pré-condição para o câncer. Outro estudo mostrou que a genisteína presente na soja estimula a divisão celular nas células da mama - o que levou os autores a concluir que mulheres não devem consumir justamente os produtos à base de soja para evitar o câncer.
As isoflavonas na soja comprovadamente combatem os fogachos na menopausa, bem como são uma proteção contra a osteoporose. De fato essa isoflavona, seja em cápsulas ou no tofu, ajuda a combater os desconfortos da menopausa, contudo pode levar aos mesmos problemas de saúde e de carência de vitaminas descritas ao longo desse texto.
Quanto à osteoporose, a alegação de que a soja nos protege dela também pode ser considerada, no mínimo, discutível, uma vez que os antinutrientes da soja bloqueiam o cálcio e causam deficiência de vitamina D. Se asiáticos (inclusive minha mãe) tem uma incidência menor de osteoporose do que os Ocidentais, é porque a vitamina D é obtida de frutos do mar, gordura animal (especialmente, do porco), enquanto o cálcio vem do caldo de peixe. A razão pela qual os ocidentais tem sofrido cada vez mais com a osteoporose é porque eles substituíram a manteiga pelo óleo de soja. A manteiga é uma tradicional fonte de vitamina D e de outros componentes necessários para a absorção do cálcio.
E nos homens? Bem, o problema nos homens é mais embaixo. Estudos recentes mostraram que há uma forte associação entre consumo de alimentos de soja e a contagem de espermatozóides nos homens. Além disso, pelo menos outro componente da soja, a deidzeína, faz com que homens produzam menos testosterona, tivessem ereções menos poderosas e passassem por mudanças bioquímicas no tecido peniano que deixaram esse tecido menos elástico e menos capaz de se encher de sangue. Vale lembrar que um dos autores dessa pesquisa veio da China, onde foi constatado que há uma incidência 10% maior de disfunção erétil do que no resto do mundo, apesar de consumirem mais produtos à base da soja fermentada. É de se imaginar o que ocorreria por aqui se o consumo de leite de soja continuar a crescer nos próximos anos (lembrem-se do militar).
O que fazer?
Embora longo, esse texto é a ponta do iceberg em relação aos problemas que a soja possa trazer, principalmente quando as pessoas se convencem de que ela é um substituto integral do leite, dos laticínios e da carne.
Vegetarianos devem estar especialmente atentos para esse perigo, pois é justamente o consumo da carne que minimiza os malefícios presentes nos produtos à base da soja. Um dos riscos que a presença da soja em uma dieta vegetariana é o aumento da incidência da hypospadia em meninos, caracterizada por uma abertura anormal do orifício por onde sai a urina em diferentes locais na parte de baixo do pênis, e mais raramente na bolsa escrotal.
E porque há aqui muitas citações de pesquisas americanas? Porque lá o consumo de produtos à base de soja já ocorre há pelo menos quarenta anos. Não esperemos uma, duas décadas, para começarmos a notar que os problemas deles com a soja se tornaram nossos também.
Afinal, a indústria vem convencendo as autoridades sanitárias de que as toxinas eram totalmente removidas industrialmente. Depois, quando perceberam que os processos que obtiveram esse sucesso tinham um custo proibitivo, passaram a alegaram os benefícios dessas substâncias prejudiciais, tal qual fizeram com as cápsulas da isoflavona contra a menopausa.
Lembramos que, mesmo os asiáticos consumindo majoritariamente produtos fermentados da soja, praticamente livres dos antinutrientes da soja, lá há uma incidência maior de câncer na tireóide, no fígado, no estômago, no esôfago, no pâncreas, além da maior incidência da disfunção erétil
Aqui consumimos cada vez mais produtos fabricados a partir da proteína de soja, cujos benefícios protéicos são quase nulos e precisam ser complementados com suplementos o mesmo com glutamato monossódico, para cair no gosto do povo, mas que ainda possuem uma grande quantidade de antinutrientes que já mostraram ser responsáveis pelo desenvolvimento precoce e meninas e por desenvolvimento intelectual especialmente em meninos nos EUA.
E não só fazer mal, mas também podem ser produtos inúteis,tal qual os suplementos feitos com proteína de soja, voltada para atletas. Geralmente são mais baratos que os suplementos à base de whey e de caseína, mas possuem o menor valor biológico, sendo praticamente eliminada pelo corpo na forma de uréia.
E, por fim, se há essas preocupações com a soja, imaginem quais são os perigos presentes na soja transgênica, cada vez mais presente em nossas lavouras.

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