sábado, 7 de janeiro de 2012

Perguntas e respostas sobre a doutrina do Santuário


Perguntas e respostas sobre a doutrina do Santuário
1) “Até duas mil e trezentas tardes e manhãs e o santuário será purificado”. Note que o texto não diz que o santuário começaria a ser purificado após duas mil e trezentas tardes e manhãs e continuaria sendo purificado por um certo período de tempo. O texto diz que o santuárioserá purificado. Logo a purificação do santuário teria que “acontecer em 1844” e não “começar em 1844”. Como provar que a purificação do Santuário “COMEÇA” em 1844 quando Daniel 8:14 não fala nada sobre “COMEÇAR” e sim em ACONTECER?
2) Respostas estão ligadas à perguntas. Perguntas estão ligadas à respostas. Daniel 8:13 faz uma pergunta: “Até quando durará a visão do sacrifício continuo e da transgressão assoladora para que seja entregue o santuário e o exército, a fim de serem pisados?” Resposta: “Até duas mil e trezentas tardes e manhãs e o santuário será purificado.”  O que a Doutrina do Santuário tem a ver com isto?
3) Por que 1 dia é igual a 1 ano profético?
a)     Números 14:34 e Ezequiel 4:6 diz que 1 dia = 1 ano mas o contexto não é escatologia.
 Está-se falando sobre o tempo que o povo de Israel iria vagar no deserto.
b)     Pedro 3:8 diz que 1 dia = 1.000 anos
c)     Gênesis 40:12 diz que 1 dia = 1 ramo
d)     Gênesis 40:18 diz que 1 dia = 1 cesto
e) João 11:9 diz que 1 dia = 12 horas
f)   Gênesis 1:5 dia que 1 dia = 24 horas (uma tarde + uma manhã)
4) Porque que o principio “dia-ano” nunca foi usado no Novo Testamento tão pouco pela igreja cristã, sendo introduzido por um erudito Judeu na era medieval e finalmente “emplacado” nos séculos dezoito e dezenove?
5) Se o principio dia-ano está correto então podemos afirmar, com base em Daniel 8, que 2300 sacrifícios = 2300 anos?
6) A palavra hebraica para “DIA” é “YOM” e esta palavra aparece no Velho Testamento 1153 vezes. A palavra hebraica para “DIAS” é “YAMIM” e ela aparece no Velho Testamento 657 vezes. “YOM” é encontrada no livro de Daniel 6 vezes e “YAMIM” 25 vezes perfazendo um total de 31 vezes. Nenhuma delas, porém aparece em Daniel 8:14. Logo a palavra “DIAS” em Daniel 8:14 não é uma tradução, mas uma interpretação que vem de duas palavras hebraicas “EREB” que significa “TARDE” e “BOQER” que significa “MANHÔ.
Mas alguém poderia dizer que é a mesma coisa, que “houve tarde e manhã - o primeiro dia”. Não, mas não é o mesmo, por que a pergunta principal é “Até quando durará a visão do sacrifico continuo?” E o anjo responde dando o número de sacrifícios (e havia dois sacrifícios por dia: uma à tarde e outro pela manhã). Como os tradutores já citaram a palavra sacrifício nos versos 11,12 3 13,  eles aplicam então no mesmo contexto a palavra sacrifício no verso 14 quando dizem: “Até duas mil e trezentas tardes e manhas” ou seja, “até 2300 sacrifícios e o santuário será purificado”.
Não seria então correto afirmar que 2300 tardes e manhãs são exatamente 1150 dias? Como que uma tarde + uma manhã de sacrifícios podem ser igual a 01 ano profético?
7) Em palavras simples, nós adventistas pregamos que até 1844 os pecados confessados não foram expiados, mas colocados de lado, para serem revisados e finalmente expiados a partir de 1844. Significa então que a humanidade ficou sem um mediador com 100% de eficácia expiatória durante 18 séculos? Mas a Bíblia não diz que quando confessamos nossos pecados Deus imediatamente os esquece lançando-os no fundo do mar?
8) Como provar que o este período começa em 457 aC uma data que não tem nada a ver com o sacrifício diário?
9) Como provar que a “purificação do Santuário” significa purificação dos pecados confessados dos santos uma vez que o contexto se refere a purificação da abominação, da poluição causada pelos inimigos dos santos?
10)  Como provar que “pecados confessados dos santos” contaminam o santuário se não existe nenhuma afirmação bíblica sobre isto?
11)  Como provar que os 490 anos foram tirados dos 2300 anos se nada disto é dito em Daniel 8 e 9?
12)  Como provar que os 490 anos e os 2300 anos começam exatamente juntos na História?
13)  Como provar que a palavra “ORDEM” em Daniel 9:25 é realmente um decreto real e que este rei é Artaxerxes?
14)  Como provar que purificação do Santuário em Daniel 8:14 tem ligação com Leviticos 16? O dia da expiação em Leviticos 16 não tem nada a ver com julgamento. Era um dia em que o Todo Poderoso cobria seu povo com graça e misericórdia, amor e perdão. Não havia nenhuma investigação, nenhuma sentença aplicada ou retribuição a uma pobre tremente alma que estaria ali esperando o veredicto para ser se estava aprovada ou não! Era um dia de amor e aceitação. Era o dia em que o Pai recebia seus filhos em seus braços. Não havia nenhuma condenação naquele dia maravilhoso. Ninguém passava por nenhum juízo ou tribunal. Como poderia o dia da expiação, da graça, da manifestação da misericórdia e amor de Deus ser um dia de Juízo e de condenação ou de investigação, de stress em saber que seu nome seria passado em revista e talvez aprovado ou não? Não é um absurdo ligar Leviticos 16 com Daniel 8?
15)  Como provar que o Dia da Expiação começou em 1844 e explicar porque que o ATO DA EXPIAÇÃO (Morte de Cristo na Cruz) está separado do DIA DA EXPIAÇÃO (1844) por 18 séculos?
16)  Ficou a humanidade 18 séculos sem expiação?
17)  Como provar que o Juízo iniciado em 1844 se refere a um juízo investigativo para os santos e não um julgamento para os pecadores, como está implícito no texto e no contexto de Daniel 8?
18)  Roma não teve nenhum contato com os Judeus até o 161 a.C. O cifre pequeno começa a “funcionar” em 457 a.C, 296 anos antes de ele ter contato com os Judeus?
19)  Roma não molestou os Judeus até que a Palestina se tornou parte do Império Romano em 63 a.C. O cifre pequeno começou a contaminar o santuário 400 anos antes se ele sequer tinha conhecimento que existia este santuário?
20)  Se Roma Papal é o chifre pequeno de Daniel 8 durante a última parte dos 2300 anos, então o que aconteceu com  a mesma Roma Papal em 22/10/1844? Por que não há nenhum evento na história papal que coincidisse com o fim dos 2300 dias?
21)  O que fazer com as contradições de Ellen White e a Bíblia dentro deste tema:
a) Ellen White afirma que o exame no Juízo Investigativo começará por Adão.
A Bíblia afirma que Jesus conhece as suas ovelhas e sabe quais são os seus (João   10:14 e II Tim. 2:19), e não dependente de nenhuma “INVESTIGAÇÃO”.
b) Ellen White fala que cada um de nossos nomes passará pelo Juízo Investigativo.
    A Bíblia fala que os santos não passarão por juízo (João 5:24)
c) Ellen White afirma que nossos pecados só estarão definitivamente apagados depois do Juízo Investigativo.
A Bíblia afirma que os nossos pecados são apagados no momento em que nos arrependemos e os confessamos. (Isaias 44:22 / Atos 3:19 / I João 1:7)
d) Ellen White afirma que o trabalho de expiação de Jesus está quase terminado.
A Bíblia afirma “Está Consumado” lá na Cruz. Que nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. João 19:30 / Hebreus 10:12-14) / Romanos 8:1 / Romanos 5:9.
23) O que fazer com a pessoas que foram declaradas salvas ANTES  de começar o Juízo Investigativo?
O Ladrão na Cruz – (Lucas 22:43)
Abraão (Rom. 4:2-5)
Abraão, Isaque e Jacó – Mateus 8:11
Moisés – Judas 9
Moises, Elias e Enoque (Se ninguém teria seus pecados totalmente expiados antes de 1844, como a Bíblia afirma que Moises, Elias e Enoque já estão no Céu)?
24) Ellen White diz que a qualquer momento meu nome pode “passar” no Juízo Investigativo e devo estar preparado para não ser pego de surpresa (meu destino traçado para sempre). Isto me faz pensar que posso estar lidando com irmãos ao meu lado cujos nomes já passaram e outros que ainda vão passar a qualquer momento. Os que já passaram estariam vivendo antes do fechamento da porta da graça já totalmente perdidos ou totalmente salvos. Como deve ser a vida desta pessoa?
E quanto a mim? Será que meu nome já passou? Será que meu destino já foi selado? Já pensou que posso estar perdido antes da porta da graça ter se fechado? Não é tudo isto muito confuso?
PENSE NISTO:
Antes de interpretar Daniel 8:14 precisamos compreender o texto e o contexto. O que realmente o autor está dizendo?
a) Daniel 8 descreve a obra do chifre pequeno. No verso 13 este poder maligno faz uma transgressão assoladora.
b) O desolador concentra seu ataque no santuário. Seu ato maligno consiste em acabar com o sacrifício continuo regular. A palavra hebraica usada aqui é TAMID. Esta é uma palavra freqüentemente usada no Velho Testamento que significa “continuo”, “regular”, “perpétuo” , “sempre”.  Muitas traduções utilizam o termo “sacrifício” ou “sacrifício continuo” que significa a mesma coisa, uma vez que:
- O contexto é sobre o Santuário
Esta palavra TAMID é comumente usada em conexão com os serviços contínuos do Santuário, especialmente para designar as ofertas queimadas da manhã e da tarde (Ex. 29:38,39,42; Num. 28:3,4,6,8,10,15,23,24,31; 29:6,11,116,18,25; 28:34,38; I Cron. 16:40; Esdras 3:3-5).
Duas expressões hebraicas são usadas quase que como uma repetição monótona para descrever as ofertas queimadas “regular” (TAMID) e “tarde e manhã”. Ao invés de chamar de as ofertas regulares da manhã e da tarde, um Judeu a chamaria de “regular” ou de “tarde e manhã”.
c) Daniel 8:13 então faz uma pergunta: “Até quando as ofertas regulares serão suprimidas, contaminadas, até quando durará a visão do sacrifício continuo, e da transgressão assoladora para que seja entregue (devolvido) o santuário, e o exército, a fim de serem pisados?”
Daniel 8:14 então responde: “Até duas mil e trezentas tardes e manhãs e o santuário será purificado”. Ou seja, o santuário ficará sem 2300 tardes e manhãs, sem 2300 sacrifícios, sem 2300 ofertas regulares. Depois deste tempo o santuário seria purificado e voltaria ao normal.
O hebraico não diz 2300 dias, mas 2300 tardes e manhãs. Não se está discutindo aqui se uma tarde e uma manhã compõem um dia conforme Gênesis 1, onde a manhã significa a parte clara e a tarde a parte escura do dia. Daniel 8:14 está falando sobre os sacrifícios das tardes e manhãs.
Fica claro então que 2300 tardes e manhãs não equivalem a 2300 dias, é mais fácil então acreditar que corresponderiam a 1150 dias.
Quem insistir que esta expressão corresponde a 2300 dias deveria ter a sabedoria de lembrar a regra bíblica básica, de que um único versículo não pode compor isoladamente a base de uma doutrina. Em nenhum outro lugar na Bíblia se encontra esta expressão “2300 dias” ainda mais significando “2300 anos”.
Além do mais a regra de que um dia em profecia corresponde a um ano é muito inconsistente. Números 14:34 e Ezequiel 4:6 são mais pretextos que textos sérios para uma interpretação desta.
Estes textos estão falando sobre a correspondência de tempo que os Israelitas iriam vagar pelo deserto. Leia e re-leia o contexto e veja que não tem nada de escatologia ali. Nada a ver com as profecias de Daniel.
Alem do mais existe vários lugares na Bíblia onde 1 dia corresponde a 1 dia e 1 ano corresponde a 1 ano. A Bíblia fala, por exemplo, que os filhos de Abraão seriam afligidos por 400 anos e que os Judeus ficariam cativos em Babilônia por 70 anos. Aqui 1 ano é igual a 1 ano. Dias são dias e anos são anos!
As “setenta semanas” em Daniel 9 não pode provar o principio dia-ano, porque a expressão na verdade é “setenta ´setes´” (Daniel 9:24). Sabemos que Daniel está falando acerca de “semanas de anos” e não “semanas de dias”, mas este conhecimento vem do contexto e não de uma única palavra!
d) A formula “UMA DIA POR UM ANO” nunca foi usada no Novo Testamento, tão pouco pela Igreja Cristã Primitiva. Ela foi primeiramente sugerida por um erudito judeu da idade média, e somente mais tarde adotada por alguns cristãos. Esta interpretação alcançou seu auge de aceitabilidade nos séculos dezoito e dezenove. (De acordo como Froom, o primeiro defensor do principio dia-ano foi o Judeu Benjamin Ben Moses Nahawendi (oitavo e novo séculos), que calculou os 2300 dias-anos a partir da destruição de Shiloh e chegou até  1358 como o ano Messiânico. Pelo menos 10 expositores Judeus adotaram este principio até o tempo dos períodos de Daniel. No ano de 1190 um católico chamado Joachim de Florim, tinha sido o primeiro cristão a utilizar este método de calculo profético).
e) Uma vez que o Novo Testamento repetidas vezes declara que Cristo voltaria logo, em breve, dentro de pouco tempo, como que os Cristãos poderiam entender que um dia em profecia representaria um ano. Se Cristo tivesse voltado no primeiro século, como os cristãos primitivos esperavam, o principio dia-ano não funcionaria.
f) Se provar que 1 dia corresponde a 1 anos já e dificílimo, o que dizer então de provar que 2300 sacrifícios correspondem a 2300 anos?
g) Mas a maior dificuldade ainda está por vir. Lendo atentamente Daniel 8:14 vemos que o texto sugere que devemos começar a contagem dos 2300 sacrifícios suspensos desde o tempo em que o desolador veio para o santuário e o contaminou. “Até quando?” A resposta: “Até 2300 tardes e manhãs... e o santuário será purificado”. A palavra hebraica aqui para “purificado” significa “justificado” ou “vindicado”. No contexto de Daniel 8:14, “purificação do santuário” significa limpá-lo, purificá-lo da ação poluidora, abominadora do desolador. (Ver Daniel 11:31).
Dizer que a idéia de purificar o Santuário em Daniel 8:14 significa purificá-lo dos pecados confessados dos santos é pra lá de absurda! Totalmente longe do contexto.
(O santuário foi contaminado não pelos pecados confessados dos santos, mas pelas ações malignas do do chifre pequeno. Mesmo se tentarmos buscar respaldo no Tabernáculo do Velho Testamento o que contaminava este Santuário não eram os pecados confessados dos santos, mas sim as quebras do velho concerto e os pecados não confessados).
h) DANIEL 9 X DANIEL 8 – Alguns ainda tentam ligar Daniel 8(2300 tardes e manhãs) com Daniel 9(Setenta Semanas). Vamos ao contexto: Daniel estava pesaroso, se sentindo muito mal porque não conseguia entender a visão narrada no capítulo 8 acerca da desolação, da contaminação do santuário. Ele então começa a fazer referencia a profecia de Jeremias acerca do período de 70 anos de desolação do santuário e da cidade de Jerusalém causadas pelos babilônicos. Ele sabe que o período dos 70 anos está chegando ao fim e ora pela breve restauração do santuário desolado. (Dan. 9:17).
Então, em resposta a oração de Daniel, o anjo Grabiel apresenta a profecia das “setenta semanas”, dos “setenta 'setes'”.
“Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para fazer cessar a transgressão” (Daniel 9:24).
Este verso é uma maravilhosa profecia com várias grandes coisas.:
PRIMEIRO – Considerar o significado de setenta “setes”. A palavra é simplesmente SHABUA, que significa “um sete”; é um contexto que mostra que o está em Daniel 9 é ANOS. Este “setenta setes” obviamente não prova que um dia em profecia é igual a um ano;
SEGUNDO – Os “setenta setes” é claramente aplicado ao setenta anos do cativeiro babilônico. As promessas feitas aos profetas, especialmente em Isaias 40-66, permitiriam aos Judeus saber antecipadamente que setenta anos terminaria numa grande final escatológica para eles. Os profetas falavam da volta do êxodo da Babilônia em linguagem escatológica. Mas comparada às promessas glamorosas de Isaias, Jeremias e Ezequiel, o retorno de Babilônia seria em fato muito modesto. Pior ainda, o reino não fora restaurado, e os Judeus estavam ainda sob a opressão de poderes gentios. Daniel foi informado que a salvação escatologia teria cumprimento não no final dos setenta anos, como dito originalmente, mas no fim das setenta vezes sete anos.
TERCEIRO – A profecia declara que os “setenta setes” estavam decretados pra o seu povo. A palavra “decretada” vem do hebraico HATAH. Esta é a única vez que esta palavra é utilizada no Velho Testamento. Os tradutores concordam que ela significa “determinada” ou “decretada”. Em hebraico pode significar também “cortada”, que aqui teria o mesmo significado de “determinada”.
QUARTO – Nós, os adventistas tomamos esta palavra e dizemos que ela significa “cortada de” para dizer que as setenta semanas devem ser cortadas de alguma coisa. Então concluímos que só poderiam ser cortadas do período dos 2300 “dias”, Mas o significado primário da palavra é “determinada” ou “decretada”. Nunca no sentido de “cortada de” alguma coisa.
Mesmo assim se alguém insistir no significado de “cortado de” as 70 semanas ou 70 setes poderiam se cortados de qualquer coisa, menos dizer que as 70 semanas poderiam ser cortadas das 2300 tardes e manhãs.
Finalmente, a profecia nunca diz que as 70 semanas foram tiradas das 2300 tardes e manhãs. Se fosse assim, um fato tão vital ao entendimento desta profecia, certamente teria sido mencionado. Esta tese adventista é pura especulação. Fruto de muita imaginação mesmo…
Nós, adventistas, dizemos que as 70 semanas foram cortadas DoCOMEÇO das 2300 tardes e manhãs: logo, dois períodos começam juntos. Mas o texto bíblico da um só desfecho para o final dos dois períodos. Daniel 8:14 diz que o santuário seria restaurado, purificado, reconsagrado. Daniel 9:24 diz que o santuário seria ungido.
QUINTO – A expressão “finalizar a transgressão” indica que Daniel 8:14 e Daniel 9:24 estão unidos num mesmo evento final. O hebraico não diz “findar a transgressão” (HAPESHA). O artigo definido “a” indica que esta passagem está se referindo a uma transgressão específica, aquela de Daniel 8:12-13. Ali, o chifre pequeno é chamado de o poder desolador que polui o santuário. Em outras palavras, finalizar a transgressão significa parar a obra do chifre pequeno, o desolador, aquele que macula o santuário, recuperando-se a rotina sagrada normal que são as ofertas queimadas das tardes e das manhãs. Assim, o santuário seria “purificado” (Daniel 8:14) ou “ungido” (Daniel 9:24) e os sacrifícios das tardes e manhãs restaurados.
SEXTO – Daniel 9 então divide as 70 semanas em 7 + 62 + 1. O período inteiro é dito começar desde o decreto para restaurar e reconstruir Jerusalém. (Daniel 9:25).
Nós, adventistas tradicionalmente dizemos que este decreto foi o editado por Artaxerxes em 457 a. C. Na realidade, dois decretos precederam este de 457. O primeiro e mais importante foi editado por Ciro no ano de 536 a.C. Um segundo, foi editado por Dario cerca de 520 a.C., mas realmente era somente uma re-afirmação do decreto de Ciro. O decreto de Artaxerxes, em 457a.C. foi o mais insignificante deles todos.
Daniel 9:25 literalmente diz “desde a saída da ordem(DABAR) para restaurar e edificar Jerusalém”. É muito mais sensato pensar que esta ordem se refere a ordem divina dada aos profetas concernente a reconstrução de Jerusalém (Isaias 55:11 / Jeremias 25:11 / 29:10). A interpretação tradicional adventista neste ponto tende para duas conclusões difíceis de se sustentar: a) que a ORDEM significa o decreto de um rei persa. b) que este decreto foi dado por Artaxerxes e não Ciro. Entretanto, Artaxerxes NUNCA editou um decreto para reconstruir Jerusalém. Leia Esdras 7 e veja por si mesmo!
A cópia oficial da carta é encontrada em Esdras 7:11-26. Mas esta carta não tem nenhuma ordem para reconstruir coisa alguma. Alguém ainda poderia se referir a Esdras 4:7-23 onde é relatado ao rei Artaxerxes que os Judeus tinham finalizado os muros e reparado as fundações de Jerusalém (4:12). Que este seria um relatório em conseqüência, em resposta a um decreto anterior de Artaxerxes do ano 457 a.C.  Mas, isto é mera especulação! Não há evidencias, mas conjecturas! Outros fazem outra tentativa dizendo que o relatório que Neemias recebeu, trinta anos depois do Edito de Esdras sobre as ruínas de Jerusalém (Nem 1:13). Isto indicaria que o relato posterior de que a cidade fora reconstruída teria tido um decreto de Artaxerxes antes autorizando este fato histórico. Novamente especulações.
Uma nova tentativa é dizer que Esdras está dando graças a Deus pela recuperação de Jerusalém em    Esdras 9:9. O contexto, porém,  inteiro é espiritual e não tem nada a ver com os muros físicos.
Outra tentativa é citar Esdras 6:14 que se refere ao decreto de Ciro, Dario e Artaxerxes. Esdras teria considerado o terceiro decreto como a culminação dos três decretos. Na realidade este verso está falando sobre a conclusão do templo em 515 a.C, e não tem nada a ver com Artaxerxes.Estas teorias só pioram a situação. Elas valem zero. E quarto vezes zero é igual a zero. Não há nenhuma evidencia que em 457 a.C. houve um decreto de Artaxerxes mandando recontruir Jerusalem. É preciso muito imaginação para dizer que as 70 semanas começaram em 457 a.C ou que a contagem das 2300 tardes e manhãs também começaram neste mesmo ano!
SÉTIMO – A Bíblia cita apenas um rei envolvido na restauração de Jerusalém: Ciro. Leia Isaias 44:28 e 45:13 e confirme por si mesmo!
OITAVO – Daniel 9:27 diz: “…mas na metade da semana fará cessar o sacrificio e a oferta de cereais”. Nós, os adventistas, interpretamos que isto aconteceu na Cruz de Cristo no ano 31 a.D. Entretanto o contexto diz: “Sim, ele se engrandeceu até o príncipe do exército, dele tirou o sacrifício contínuo, e o lugar do seu santuário lançou por terra”. Leia Daniel 8:11-13;  11:31 e 12;11. Lá o que está sendo dito é que o desolador iria substituir os sacrifícios sagrados das tardes e manhãs com um sacrilégio abominável. Todo o contexto está falando do DESOLADOR e não do MESSIAS.
Como é triste torcer o texto desta forma, tomando-o fora do seu contexto!
Desde o momento em que os sacrifícios das tardes e manhãs foram suspensas até o tempo em que elas são restauradas passam-se 3,5 anos ou sejam 2300 tardes e manhãs de sacrifícios. Os 1150 dias de Daniel 8:14, os 1260, os 1290 e os 1335 dias de Daniel 12:7-13 estão todas aproximadas pela mesma extensão de tempo e tudo se refere ao mesmo período geral. 
CONCLUSÃO: Se todos nós chegássemos à conclusão que a nossa velha Doutrina do Santuário está incompleta, ou inconsistente ou incoerente, sei lá.... Tudo isto nos levaria a criar grupos de estudos como aconteciam no passado e mergulharíamos de vez numa poderosa investigação bíblica para chegar a real VERDADE. Aceitar conservadoramente os conceitos TRADICIONAIS, nos deixam estagnados sem desejo de pesquisar, de buscar. Gera um comodismo sem frutos...
Este é o lado maléfico do conservadorismo. A estagnação espiritual. A falta de apetite em buscar NOVAS VERDADES, fato que a própria Sra White estimula e muito....
Que tal? -- Paulo Gomes

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