sábado, 25 de janeiro de 2014

HISTÓRIA DA REDENÇÃO II



HISTÓRIA DA REDENÇÃO



PARTE - II



PROVAS QUE O LIVRO “HISTÓRIA DA REDENÇÃO” É UM PLÁGIO DO LIVRO APÓCRIFO DE: MELQUISEDEQUE.



Se Ellen White foi realmente uma profetisa do Deus de Abraão como afirmam seus seguidores e seus escritos; porque ela mentiu sobre a origem do livro “HISTÓRIA DA REDENÇÃO”? Pela leitura de forma honesta e atenciosa que foi escrito a milhares de anos antes de sua existência, podemos observar à exatidão da compilação. Deus inspira ou plagia?

                                                                                                                                                   

A História do Universo Capitulo V



Depois de contemplar Seus filhos que, arrependidos, jaziam a Seus pés, o Eterno tomou-os carinhosamente pelas mãos e os levantou. Alegrava-Se em poder revelar ao homem caído o plano da redenção. Com ternura, Deus passou a descerrar-lhes primeiramente os amargos resultados de sua queda, dizendo: "Filhos, vocês selaram o destino de toda a criação nas garras da morte. A desarmonia já permeia a natureza, procurando destruir nela todas as virtudes. O abismo no qual vocês imergiram pela desobediência é por demais profundo para que possam ser alcançados pelo meu poderoso braço. Assim, desligado da Fonte da Vida, não resta mais ao ser humano outra sorte além da morte." Depois de proferir estas palavras que revelavam uma triste sorte, o Eterno convidou o casal a segui-Lo. Cabisbaixos, Adão e Eva, em pranto, seguiram o Criador em Seus passos de justiça, que encaminhavam-nos ao lugar da vergonhosa queda, onde supunham encontrar o doloroso fim. Nessa dolorosa caminhada, soluçaram ao lembrar seu passado de glória desfeito pela ingratidão. Como doía-lhes na alma a terrível expectativa de serem reduzidos, juntamente com a criação, a frias cinzas sob a escuridão daquela noite de pecado!

Enquanto caminhavam, contemplavam através das lágrimas as belezas adormecidas banhadas pela luz de Deus. Viam os inocentes animais, que não tinham consciência da grande dor Subitamente, o casal se deteve vencido por intenso pranto; seus vacilantes passos os haviam levado para junto de um cordeiro, o animalzinho mais querido. Seus olhinhos de meiguice haveria também de se apagar?! Enxugando-lhes as lágrimas, o Eterno ordenou-lhes tomar nos braços o inocente cordeiro. Envolvendo-o junto ao peito, acompanharam silentes os passos do Criador, até alcançarem o topo do monte Sião, lugar da vergonhosa queda. Contemplando ali os restos dos rubros frutos, com ímpeto lhes veio à mente a lembrança da sentença divina: "No dia em que dela comerdes, certamente morrereis." O terrível momento chegara.

O homem culpado deveria sorver o amargo cálice da morte, sucumbindo sem esperança. Consciente de sua perdição, o casal percebeu, com horror, que as mãos que os trouxeram para a vida empunhavam agora um cutelo pontiagudo de pedra. Trêmulos, prostraram-se e esperaram pelo cumprimento da justa sentença. Enquanto emudecidos pelo medo, Adão e Eva aguardavam o golpe que os reduziria a pó, sentiram o toque macio das mãos divinas que os erguiam para uma nova vida. A condenação, contudo, haveria de recair sobre um substituto. Colocando nas mãos de Adão o cutelo, o Criador lhe disse: - O cordeiro morrerá em lugar de vocês. Adão deveria sacrificá-lo. Assustado ante a ordem de Deus, o casal, em pranto, pôs-se a clamar: - Senhor, o cordeirinho não, ele é inocente! Com expressão de justiça, o Eterno acrescentou: - Se ele não morrer, vocês não poderão ter as vestes das quais falei. Ante a insistência do Criador, Adão, todo tremulo, num esforço doloroso, cravou no peito do cordeirinho aquela aguda pedra. O golpe foi fatal, e o animalzinho, vertendo seu precioso sangue, mergulhou nas trevas de uma noite sem fim.

 Contemplando o cordeirinho inerte sobre a relva ensangüentada, o casal ergueu a voz e chorou. Começavam a compreender a enormidade de sua tragédia. Quão terrível era a morte! Ela, em seu poder, apagara toda a luz dos olhos do inocente animal. Inclinando-Se silente sobre o corpo inerte do cordeiro, o Eterno tirou-lhe a pele revestida de branca lã e com ela fez túnicas para cobrir a nudez do casal. Após vesti-los perguntou-lhes com carinho: - Vocês entenderam o sentido de tudo isto?

Em profunda reflexão, por entre soluços de reconhecimento e gratidão, o casal exclamou: - Ele morreu em nosso lugar, para dar-nos suas vestes! Adão e Eva, embora compreendessem aquela realidade física, estavam longe de entender o significado daquele acontecimento. A eles o Criador revelaria o mistério do divino amor. Com expressão de infinita misericórdia, Deus passou a revelar ao ser humano o sentido daquele doloroso sacrifício, dizendo: O inocente cordeirinho, que hoje padeceu, simboliza um homem que haverá de nascer. Em seus olhos haverá a mesma meiguice, o mesmo amor. Revestido por uma vida justa, como a branca lã que cobria o cordeiro, esse homem crescerá como um renovo sobre a Terra, não tendo nas mãos as algemas do pecado. Em sua aparência, esse homem não trará a pompa de um rei, por isso será desprezado por muitos. Será um homem de dores, pois cairá sobre si o peso de todas as provações. Em sua fidelidade ao reino da luz, esse homem lutará contra o inimigo usurpador, vencendo-o finalmente. Após triunfar em suas lutas, tomará sobre si o fardo de vossa condenação que lhe causará uma terrível morte. Ele será traspassado por causa da vossa rebelião e moído pelas vossas iniqüidades. Será oprimido e humilhado, mas não abrirá a sua boca, como o cordeirinho que hoje entregou-se pacificamente. Sucumbindo na morte, ele vos concederá os méritos de sua vitória. Envolvidos por suas vestes de justiça, estareis livres da condenação.

A vida eterna alcançareis assim, mediante o sacrifício desse homem justo que haverá de nascer. Adão e Eva, que num misto de gratidão e dor ouviram a revelação de tão grande salvação, indagaram reverentes a respeito desse homem especial que em sua descendência haveria de surgir, a fim de cumprir tão imenso sacrifício. O Criador, olhando-os ternamente, movido por um amor que supera mesmo a morte, os envolveu num carinhoso abraço e revelou: - Eu serei esse Homem! Surpresos ante a declaração do Eterno, Adão e Eva ficaram imóveis, enquanto contemplavam o Seu meigo semblante. Compreendendo o significado do tremendo sacrifício, prostraram-se a Seus pés e com lágrimas clamaram: - Nós somos merecedores da morte Senhor, mas Tu és inocente e não deves sofrer em nosso lugar! Enxugando-lhes as lágrimas, o Eterno com ternura lhes falou: - Meus filhos, Eu os amo com um eterno amor. Eu morrerei em lugar de vocês. Ante esta confirmação, o casal ergueu a voz numa lamentação dolorosa. Diziam: - Nós matamos o Criador! Nós matamos o Criador! Mas Deus passou a consolar o casal com palavras de esperança, dizendo: - Após sorver o cálice da eterna morte, Eu retomarei a vida e subirei ao céu. Intercederei ali pelo homem perdido, concedendo a todos aqueles que, arrependidos, aceitarem meu sacrifício, as vestes de minha vitória. Juntos, triunfaremos finalmente sobre o reino do pecado que se desfará em cinzas sob nossos pés. Criarei então um novo Céu e uma nova Terra, onde unicamente a justiça e o amor reinarão. Viveremos assim para sempre, num reino de perfeita harmonia e paz. O Criador, que acompanhado pelo casal permanecia ainda sobre o monte Sião, concluiu Suas revelações dizendo: "O jardim do Éden ficará agora vazio. O ser humano, durante a longa noite de pecado, vagueará em seu exílio. Não andará, contudo, sozinho: o Eterno, também peregrino, trilhará com o homem toda a estrada espinhosa, até poderem juntos galgar o monte perdido, triunfando gloriosamente sobre o reino da morte.

A árvore da ciência do bem e do mal monumento da rebeldia será então desfeita, dando lugar a uma árvore gloriosa que, unindo sua copa à árvore da vida, se tornará no arco comemorativo da grande vitória. Sobre o santo monte redimido, repousará então para sempre o torno universal, que pelos fiéis triunfantes será nomeado: o trono de Deus e do Cordeiro." Adão e sua companheira, após ouvirem palavras tão confortadoras e cheias de esperança, ergueram a voz num cântico de gratidão e louvor. Conheciam agora o infinito amor de seu Criador e estavam dispostos a servi-Lo. Depois de consolar o casal, Deus levou-os para fora do Éden. Não lhes foi fácil se despedir daquele precioso lar; ali haviam despertado para a vida nos braços do Eterno; ali desfrutaram momentos de pura felicidade, em companhia do Criador, dos anjos e dos dóceis animais. Uma saudade infinita parecia envolver o casal em seus passos de abandono.

Foi com espanto que Satã e seus súditos presenciaram a intervenção do Eterno. Ficaram abalados ante a surpreendente revelação do plano de resgate. Com raivosa frustração, compreenderam que, se de fato a promessa divina se concretizasse, não restaria nenhuma esperança. Depois de refletir sobre tudo o que acontecera, uma grande ira apossou-se de seu coração. Não estava disposto a reconhecer a redenção do ser humano. Faria todos os esforços para retê-lo, juntamente com o reino que lhe fora entregue. Quando o casal, acompanhado pelo Criador, alcançou o vale ferido pela morte, amanhecia. Ali Satã os enfrentou com fúria, numa tentativa de se apossar novamente do ser humano. O casal ficou trêmulo em face do inimigo, mas as mãos protetoras de Deus os acalmaram. Expressando no semblante a firmeza de uma justiça que é eterna, o Eterno silenciou as ameaças do inimigo com as seguintes palavras: "O ser humano Me pertence, pois Eu o comprei com o meu sangue". Ao caminharem silentes junto ao Criador, Adão e Eva observavam com tristeza os sinais da morte estampados naquela natureza antes tão cheia de vida. As belas flores, que haviam desabrochado para exalar aromas eternos, pendiam agora murchas; os passarinhos, que com alegria os saudavam em cada alvorecer com os seus trinos, voavam agora distantes, fazendo soar tão tristes cantos! Tudo estava mudado na natureza. A ciência do bem e do mal não trouxera nenhum bem ao Universo, mas um intenso conflito espiritual e físico. Ante as conseqüências devastadoras de sua queda, o casal, vencido por uma indizível tristeza, prostrou-se arrependido e chorou amargamente. Deus, que também compungido pela dor contemplava o cenário desolador, procurou, com palavras de esperança, confortá-los. Falou-lhes sobre o novo Céu e a nova Terra que um dia criaria, onde a paz e o amor voltariam a reinar em cada coração. Ali viveriam sempre juntos, não trazendo na fronte as marcas da tristeza, mas coroas de eterna vitória. Ali enxugaria as lágrimas de suas faces e essas jamais voltariam a umedecer os seus olhos. Amparando Adão e Eva em seus passos, o Criador conduziu-os através de um vale ferido, até alcançarem o sopé de uma colina. Galgaram-na em lentos passos, enquanto trocavam palavras de ânimo e esperança. Seus pés alcançaram finalmente a relva macia que cobria o topo espaçoso daquela colina. Era sobre aquele lugar que o casal via a cada dia o sol declinar, banhando o céu e os vales de um vermelho vivo, como o sangue que jorrara do peito do cordeiro. Voltando-se para o lado oriental, o casal, num misto de dor e saudade, contemplou ao longe as paisagens que os envolveram naquele passado tão feliz. Ao divisarem o monte Sião, que majestoso erguia-se no meio do Éden, choraram ao lembrar da queda. Quão fracos tinham sido! O sol declinava em sua jornada, anunciando a chegada de mais uma triste noite - a primeira fora do paraíso. Num calmo gesto, o Eterno, mostrando-lhes o vale sobranceiro à colina, falou-lhes com carinho: "Aqui será vossa provisória morada. Daqui podereis contemplar o paraíso que por algum tempo permanecerá na Terra, até ser recolhido ao seu lugar de origem, no seio da Jerusalém Celeste. Ali, protegido pela justiça, aguardará o alvorecer da vitória. Quando esse grande dia chegar, retornaremos juntos a Sião, onde seremos coroados em glória, num reino de eterna felicidade e paz". Depois de dizer estas palavras, Deus ordenou ao casal que construísse naquele lugar um altar de pedras, sobre o qual a cada semana, na noite que antecede o sábado, deveriam imolar um cordeiro, pela memória de Seu sacrifício. Como sinal de Sua presença, e para a certeza de que seus pecados seriam perdoados, Ele acenderia um fogo sobre o altar, o qual duraria toda à noite, até consumir por completo a oferta do sacrifício.

Para que o ser humano pudesse firmar sua fé sobre as verdades reveladas, e não na manifestação visível da pessoa do Criador, Ele haveria de permanecer invisível daquele momento em diante. Somente em ocasiões especiais, quando se fizesse necessário Sua aparição ou a de anjos para novas revelações e advertências, isto ocorreria. Contemplando os Seus filhos entristecidos naquele momento em que seriam deixados aparentemente sozinhos. O Eterno disse-lhes com amor: "Filhos, embora vocês tenham de permanecer neste ambiente hostil, não precisam temer, pois Eu permanecerei ao lado de vocês. Serei um companheiro amigo nesta jornada; levarei sobre os meus ombros suas dores, seus anseios, suas lutas. Quando, tentados pelo inimigo, estiverem a ponto de ceder, poderão encontrar abrigo em meus braços, que sempre estarão estendidos para salvá-los e, se algum dia vocês não resistirem, e pela fúria do inimigo forem arrastados para as profundezas do abismo, não se desesperem julgando não haver esperança, pois Eu estarei ali para acudi-los com o meu perdão e força. Tenham sempre em mente o significado das vestes recebidas das minhas mãos, pois elas falam da redenção que ao homem pertence. Descansem filhos meus, nos meus braços de amor." Depois de consolar o casal com estas promessas, o Criador, vendo que estavam sonolentos pelo cansaço, os fez reclinar no Seu colo e, como de costume, acariciou-os docemente até adormecerem. Ao vê-los esquecidos em seu sono, Deus chorou ao prever o sofrimento que experimentariam ao acordar. Com o coração partido pela dor causada pôr aquela separação física, o Criador deixou o casal adormecido sobre a relva, depois de beijar-lhes as faces já marcadas pelo sofrimento. Sua luz dissipou-se ao tornar-Se invisível, dando lugar às trevas daquela primeira noite fora do paraíso. No subconsciente do casal começaram a desfilar sonhos coloridos de um passado feliz. Encontravam-se mais uma vez em meio às belezas do Éden, saciados pôr uma alegria eterna. Agradecidos pela vida, corriam pelos campos floridos, brincando com os animais. Com felicidade uniam as vozes aos anjos nos harmoniosos cânticos em louvor ao Criador. Tantas cenas lindas desfilavam em seu subconsciente, mas esses sonhos tornaram-se pesadelos, fazendo-os reviver sua tragédia. Agonizantes despertaram em meio à escuridão daquela primeira noite no exílio. Não conseguindo conciliar o sono, o casal permaneceu em pranto até ser consolado pelo alvorecer que revelou-lhes ao longe o saudoso paraíso.

Deus, ainda que invisível, permanecia ao lado de Adão e Eva ali na colina. O sofrimento deles era o Seu sofrimento, como também a esperança de um dia retornarem vitoriosos a Sião. Ante o olhar contemplativo do Criador, revelava-se o futuro sombrio da humanidade. Com pesar, via incontáveis criaturas perecendo sem salvação, por rejeitarem o Seu amor. Lágrimas molharam a Sua face, ao antever o inimigo empregando toda astúcia a fim de reter os seres humanos sob seu domínio. Longa seria a noite do pecado, e renhida a batalha pela reconquista do reino perdido. O triunfo da luz requereria da parte de Deus um sacrifício imenso. Na pessoa do Messias, há seu tempo, ele nasceria entre os homens, com a missão de pagar o preço do resgate. Por meio dEle muitos seriam libertos das garras do inimigo: todos aqueles que O aceitassem como Salvador e Rei. Contra esses escolhidos, o inimigo arregimentaria todas as forças procurando fazê-los cair. Em sua visão do futuro, o Criador contemplou com alegria o triunfo final dos redimidos. Haviam sido extremamente provados, mas em tudo foram mais do que vencedores por meio dAquele que os redimiu das trevas para o reino da luz. Depois de antever os sofrimentos que adviriam da grande luta, o Eterno estendeu o olhar pelas planícies cativas, contemplando ali as hostes rebeldes dispostas para a luta. O objetivo desses exércitos era apossar-se novamente do ser humano, no qual estava selado o direito de domínio sobre o Universo. Contrária à natureza do Criador é a guerra, mas para defesa de Seus filhos, estava disposto a empregar o Seu poder. Sua força, contudo, somente seria empregada com justiça. Se o ser humano recusasse essa proteção oferecida mediante o sacrifício do Messias, Deus nada poderia fazer para impedir que o mesmo perecesse nas garras do inimigo. Adão e Eva, contudo, haviam se arrependido de seu grande pecado, recebendo pela misericórdia de Deus vestes de salvação, simbolizadas pelas peles do cordeiro sacrificado. Justificado pela entrega do casal, o Eterno convocou Seus poderosos exércitos para a peleja. Em pronta obediência as hostes da luz irromperam pelo espaço sideral em direção a Terra, circundando qual forte muralha a colina, portadora daquele tesouro redimido pelo sangue do divino Rei. Ao ser humano fora conferido no Éden o dever de cuidar da natureza: preparavam canteiros para as flores; colhiam frutos para mantimento; dirigiam os animais em seu inocente viver, adestrando-os para que lhes fossem úteis. Essas ocupações tinham sido para eles fontes de desenvolvimento e prazer. Agora, apesar das adversidades, deveriam continuar realizando esse dever. O trabalho em si, realizado segundo as ordens do Criador, já anularia muitos ataques do inimigo. As primeiras ocupações do casal naquela manhã, trouxeram-lhes revelações do grande amor de Deus, até então desconhecidas. Ao reunirem as pedras para construção do altar, experimentaram a dor de feridas que jorram sangue, como também a fadiga que faz minar suor. Sentindo e contemplando tudo na própria carne, amaram mais o Salvador, para quem o altar construído prefigurava feridas maiores, que verteriam todo o Seu sangue, como também fadigas que minariam toda a seiva de Sua vida. O olhar de saudade e de esperança do casal de agora em diante, jamais pousaria no Éden distante, sem discernir primeiro o altar dos sacrifícios. Esse altar, com suas manchas de suor e sangue, permaneceria como uma lembrança da dor e do sofrimento que, depois de umedecer os lábios dos seres humanos, transbordaria na taça do Criador. Após contemplar pôr longo tempo o paraíso da eterna vida que estendia-se muito além daquele altar escuro de morte, o casal experimentou o doce alívio do descanso. Desejosos de conhecer as paisagens de seu novo lar, Adão e Eva, animados pela esperança, saíram a passear. Seus passos conduziram-nos por caminhos de sorrisos e de lágrimas; de encantos e desilusões; de flores que desabrochavam delicadas, banhadas em perfume, e de flores despetaladas, tombadas murchas e sem cheiro; de animais ainda dóceis e submissos e de animais inimigos, ferozes e ameaçadores.

O casal discernia em seu passeio as divisas de dois mundos: o da luz e o das trevas; do amor e do egoísmo; da esperança e do desespero; da harmonia e da desarmonia; da vida e da morte. Essa visão encheu-lhes de tristeza e choraram longamente. Essa tristeza aumentaria ainda mais no futuro, quando descobrissem o aprofundamento dessas divisas no seio de sua descendência. Seis arrebóis já haviam colorido os céus anunciando ao casal as noites escuras e frias que com seu manto de trevas desfazia todas as imagens vivas, menos a esperança de revê-las coloridas no alvorecer de luz. Aproximava-se agora à hora do sacrifício, quando o rude altar, abrasado em sua justiça clamaria pôr sangue. Se não lhe oferecessem a oferta, explodiria com certeza, envolvendo todo o mundo com suas chamas; Já não haveria então alvorecer, nem esperança de Éden a florir. Quão precioso é o sangue! Sangue é vida; vida é luz! Para um ser aquela noite tornar-se-ia eterna, sem alvorecer! Esse ser deveria assumir a culpa de todo o mundo, dando o seu sangue ao rude altar. Quem se ofereceria? Quem verteria a seiva da vida, até ver a última estrela apagar-se em seu céu?!

 Adão e Eva depois de refletirem por longo tempo, contemplando o berço da morte construído pôr suas mãos, entreolharam-se inquietos com essa questão decisiva: Quem se oferecerá? Essa indagação nascida de sua culpa, fez vibrar no profundo de suas lembranças a voz do bendito Criador em Sua revelação de infinita bondade: - Eu os amo com um eterno amor; Eu morrerei em vosso lugar". Agradecido, o casal prostrou-se reverentemente ante o sedento altar, vendo-o pela fé, saciado pelo dom do eterno amor. Naquela tarde de sexta-feira, Deus submetia o ser humano a uma tremenda prova de fé. Eles tinham diante de si o altar de pedras, construído conforme a ordem divina, mas não havia nenhuma ovelha para o sacrifício. Em seu anseio, lembravam-se do Éden, onde havia muitos rebanhos. Ao verem o sol tombar no horizonte, Adão e Eva passaram a clamar a Deus por socorro, pois sabiam que somente um milagre poderia providenciar-lhes, naquele derradeiro momento, um cordeiro para o sacrifício. Aos olhos dos habitantes do Universo, o grande milagre pelo qual o ser humano clamava, já se processava à quase uma semana: Guiado pelo Criador, um imaculado cordeiro deixara o Éden e seguira os rastros do casal em sua caminhada para o exílio. Em sua longa jornada, esse animalzinho teve de enfrentar muitos desafios e perigos, mas protegido e guiado pelo Eterno prosseguia em sua missão. Quando as sombras do anoitecer começaram a envolver a colina, o casal que vivia tão dura prova de fé, discerniu um pontinho branco que saltitava no gramado vindo em direção deles. À medida em que se aproximava, aquele vulto parecia falar de esperança, de vida e calor. Ao verem que o grande milagre acontecera, correram ao encontro do cordeiro, envolvendo-o nos braços. Ele estava fatigado, mas não descansaria: daria descanso. Estava sedento, mas não beberia: daria de beber ao altar que clamava por sangue. Aquele cordeiro tinha vontade de viver nos braços do homem, mas morreria, para que esse pudesse viver nos braços de Deus. Era um perfeito simbolismo do Redentor que deixaria Sua glória, vindo em busca do pecador. As trevas de mais uma noite prefigurativa baixaram lentamente envolvendo toda a natureza em sua prisão. Sua força, porém, seria quebrada diante do ser humano, pelo brilho de um fogo especial, aceso pelas mãos do divino perdão sobre o corpo sem vida do inocente cordeiro. Tudo estava preparado para o doloroso golpe: ato que apagaria daqueles olhinhos meigos a última estrela de vida, mergulhando-os na fria escuridão de uma eterna noite: escuridão que geraria luz; frio que geraria calor; morte que geraria vida - dons imerecidos; frutos do divino amor oferecidos às mãos pecadores, prestes a ferir. Em meio à silente noite o altar clama; o homem triste exclama, enquanto o cordeiro mudo, não reclama ao ser estendido para a morte. As mãos que construíram o altar erguem-se agora, não para acariciar como outrora, mas para ferir, sangrando o preço do perdão. Só um gesto, nada mais, e a estrela se apagará para sempre dos olhos inocentes, fazendo brilhar na face culpada a luz da salvação. Adão, trêmulo hesita em compaixão. No cordeirinho manso e submisso, pronto a morrer em seu lugar, vê o Salvador prometido. Com o coração arrependido, num esforço doloroso, crava o cutelo de pedra no peito do animalzinho que perece em suas mãos sem sequer dar um gemido. O poder da noite imediatamente é quebrado pelo brilho do fogo da aceitação. Sua luz revela ao ser humano sua trágica condição: Vendo as mãos manchadas pelo sangue inocente, o casal sente-se culpado por aquela morte. Em pranto ajoelham-se ante o altar que já não lhes reclama sangue, mas oferece luz, aceitando o imerecido perdão. Erguendo-se, o casal contempla demoradamente o corpo ferido do pobre cordeirinho, sem poder agradecer-lhe pela riqueza concedida em troca de seu tão rude golpe. Banhados pela suave luz do sacrifício, Adão e sua companheira permanecem silentes a meditar, até serem vencidos por um profundo sono. Recostando-se ao solo coberto de relva macia, adormecem docemente sob os cálidos raios do perdão, certos de que seu brilho e calor perdurariam até serem as trevas daquele sábado desvanecidas completamente pelo fulgurante sol. A luz do cordeiro, desde que fora acesa sobre o altar naquela noite, permanecia em constante guerra com as trevas. Por várias vezes crescia em brilho, afugentando para distante a fria escuridão, banhando a natureza com os seus raios de vida. Por vezes, as trevas trazendo o seu vento frio, quase baniam por completo a chama. Essa, todavia, num grande esforço alimentava-se do sangue do cordeiro, lançando ao alto sua ardente chama, inundando de luz e calor tudo aquilo que havia ao redor. O conflito entre a luz nascida do sacrifício e as trevas naquela noite, descerravam aos fiéis do Universo muitas lições importantes - verdades que ocupariam suas mentes por toda a eternidade. Naquela chama, ora ardente em seu brilho, ora fustigada pelos ventos da noite, os fiéis viam uma representação do conflito milenar entre o bem e o mal; conflito que sem trégua se estenderia até o alvorecer eterno.

O Eterno, no penhor de Seu futuro sacrifício, acendera em meio das trevas, a luz da verdade, e essa seria mantida acesa no coração do ser humano, em virtude de Seu sangue que seria derramado para remissão da culpa. Contra essa luz, o inimigo arremessaria todos os ventos frios da maldade, banindo do coração de muitos o seu doce brilho. Quantos jazeriam perdidos por recusarem a luz do perdão divino, ficando envoltos pelas trevas da escura noite! Depois de longas horas de combate, surgem no céu os sinais do amanhecer. A escuridão que com ira havia lançado seus ventos sobre a imorredoura chama procurando bani-la torna-se confusa ante os sinais do amanhecer. O céu tingido de um vermelho vivo faz lembrar o sangue que jorrara do peito do cordeiro para que a chama do perdão pudesse iluminar a noite humana. Em meio ao colorido de sangue, surgem no horizonte o fulgurante sol, trazendo em seus aquecidos raios o sabor da vitória, envolvendo tudo com sua vida. O alvorecer em seu saudoso afeto acaricia o distante paraíso, levando de seu amado seio em sua brisa matinal o aroma da saudade, numa mensagem de consolo e esperança às criaturas sofredoras do vale da morte. Banhados pelos cálidos raios e pela brisa da esperança, o casal desperta em mais um sábado, cujo simbolismo aponta para o descanso no reino de Deus, ao culminar o grande conflito entre a luz e as trevas.

Para além daquele altar coberto de cinzas, Adão e Eva contemplam demoradamente o saudoso paraíso. Ainda que distantes em seu exílio alegram-se com a certeza de que o sacrifício do Messias fará raiar para eles o sábado dos sábados: aquele de lágrimas para sempre banidas; de sol sempre a brilhar num límpido céu; de cordeiros sempre vivos a brincar pelo gramado; dia sem anoitecer, quando não haverá mais altar coberto de sangue e cinzas. Suspiram por esse dia de glória, quando Deus Se fará eternamente visível, levando nas mãos as marcas de Seu infinito amor pelos Seus filhos. Antes da queda, o ser humano, assim como a todas as hostes celestiais, aprendia aos pés do Criador que com paciência ensinava-lhes os tesouros da sabedoria contidos no vasto compêndio da natureza. Tudo no Universo, desde o ínfimo átomo ao maior dos mundos, testificava em sua perfeita existência do caráter do divino Rei. Muitos ensinamentos, porém, permaneceram ocultos nas páginas desse grande livro no período que antecedeu à queda: Eram como as estrelas que, ocultas durante o dia, revelam seu brilho ao baixarem as sombras da noite. Tendo a natureza cativa, o inimigo, no intento de bloquear a revelação da Eterna Sabedoria, introduziu nela borrões de egoísmo, destruição, infelicidade e morte. Não sabia que esses borrões fariam evidenciar na face da criação a profundidade da justiça e amor de Deus, levando os fiéis a amá-Lo e reverenciá-Lo ainda mais. Para o casal, assim como para todos os filhos da luz, a natureza ferida rompeu o seu véu, revelando novos aspectos da bondade do Criador ocultos até então. Adão e Eva que estavam acostumados às flores eternas no paraíso, aquelas que não as viram desabrochar, viam-nas agora surgirem em tenros botões, em meio às ameaças de espinhos prontos a ferirem. Essas tenras flores, sem importarem-se com os espinhos, exalavam perfumes suaves de louvor e gratidão, jamais se cansando de agradar o ambiente. Quando fustigada pelos ventos frios da noite, essas flores não se ressentiam, mas ofereciam seu aroma, que transformava a fúria dos ventos em brisas perfumadas de um alvorecer. Movidos por profunda gratidão, o casal acompanhava atentamente o ministério de amor daquelas flores que, jamais se cansavam de abençoar, oferecendo sua beleza e perfume como alívio para aqueles que eram feridos pelos rudes espinhos. Aquelas flores singelas e puras, depois de mostrar em sua curta vida que o perdão e o amor são mais fortes que todos os ventos e espinhos, num último esforço de comunicar alegria, exalavam seu perfume, tombando murchas e sem vida sobre o solo frio. Ali, esquecidas, transformavam-se em insignificante pó que era espalhado pelo vento. A morte das flores, ainda que parecesse fracasso, revelou ao casal o mistério do renascimento da vida: Morrendo, as flores davam vida aos frutos que, por sua vez, depois de servirem de alimento, doavam suas sementes cheias de vida. Na morte dessas sementes, renascia o milagre da vida, multiplicando as árvores com suas flores prontas a repetir o ensinamento do amor e do sacrifício. A natureza, portanto, embora maculada pelo pecado, revelava o mistério oculto do plano da redenção. Cada flor a desabrochar em meio aos espinhos, em sua curta vida de amor, era um símbolo do Salvador que nasceria entre os espinhos da maldade, para com o seu perfume consolar o coração dos aflitos. Semelhante à flor, o Messias depois de provar que o amor e o perdão são mais fortes que todos os ventos do ódio; que a verdade e a justiça do reino de Deus são maiores que todos os enganos e injustiças do reino do inimigo, verteriam a seiva de sua vida, morrendo para redimir os culpados.



A História do Universo Capitulo VI



Consolados pelas revelações da natureza, Adão e sua companheira, alunos na escola do sofrimento, aprendiam a cada dia a amar mais o Salvador. Cresciam em sabedoria, humildade e santidade. Todas as virtudes destruídas pelo pecado, renasciam no coração. Com ânimo o casal dedicava-se ao labor edificante: plantavam jardins que pelo poder de Deus enchiam-se de perfumadas flores e deliciosos frutos. Seu lar no exílio tornava-se num refúgio para os animais perseguidos dos vales. A colina, sob a proteção dos anjos da luz, tornou-se numa miniatura do Éden distante. Entre os animais reunidos e domados com amor, haviam muitas ovelhas. Adão e Eva não conseguiam pousar os olhos sobre esses dóceis animais destinados ao sacrifício, sem provar no profundo da alma um misto de dor e gratidão.

Na noite que antecedia cada sábado, Adão tinha, por ordem do Criador, de repetir o doloroso ato. Quanta amargura e arrependimento sobrevinham ao casal ao baixarem as trevas da noite do sacrifício! Quanto consolo lhes trazia a chama do perdão que jamais deixara de brilhar sobre o altar, naquelas noites prefigurativa! O decisivo valor do sacrifício, para que a vida pudesse florescer sob a proteção divina, levou o casal a valorizar imensamente o seu pequeno rebanho. Cada sexta-feira, contudo, passou a trazer consigo, além da dor, uma inquietação: - Quem doará seu sangue ao altar quando a última ovelha perecer? Aos olhos do casal maravilhado, aconteceu enfim o milagre do amor, renovando-lhes a esperança de viverem outras semanas sob o brilho da chama do perdão: uma ovelha, a mais gorda delas, passou a sangrar como em sacrifício; De sua dor, nasceram-lhes quatro cordeirinhos. Cheios de alegria e gratidão, Adão e Eva prostraram-se ante o Salvador invisível, tendo nas mãos aquelas novas criaturinhas que traziam em seus olhos a mesma meiguice e disposição para o sacrifício. Seguros de que novos milagres multiplicariam seus dias, o casal uniu sua voz como outrora, num cântico de gratidão e adoração ao Criador que, como os cordeirinhos nasceria também da dor para cumprir em sua vida o maior de todos os sacrifícios, para salvação da humanidade.

O Eterno, embora invisível aos olhos de Seus filhos humanos, permanecia bem próximo, acompanhado por um exército de anjos, em incansável ministério de cuidado e proteção. O casal estava inconsciente de que a doce calma e paz reinantes naquela colina, bem como toda a sua prosperidade, eram frutos de tão intensa luta. Se os seus olhos fossem abertos para as cenas que ocorriam invisíveis, ficariam tomados de espanto; Quão terrível era o inimigo e suas hostes em suas constantes investidas com o propósito de arruinar o ser humano, arrebatando-o das mãos do Criador. Vendo que o emprego da força não lhe redundaria em vitória, o inimigo em sua astúcia idealizou uma armadilha com a qual poderia enlaçar o casal. Reunindo os seus exércitos, revelou-lhes seus planos dizendo: - Ao ser humano foi ordenado sacrificar cordeiros, como símbolos do Salvador vindouro. Os tentaremos a olhar para esses símbolos como portadores de perdão e vida, fazendo-os aos poucos esquecer a realidade do sacrifício prometido por Deus. Será um processo lento, mas de segura vitória". O Criador conhecendo o perigo dessa armadilha, entristeceu-se, pois ao olhar para o futuro, pode ver tantos filhos Seus sendo desviados do caminho da salvação. Quantos se apegariam aos símbolos julgando encontrar neles virtude! Deus em seu amor e cuidado, não os deixaria inconscientes do perigo que os ameaçava. Sabia o quanto Adão e sua companheira amavam aqueles cordeiros que, ao morrerem sobre o altar, ofereciam-lhes luz e calor. Facilmente poderiam ser induzidos a vê-los como fontes de vida e luz, passando a reverenciá-los. Muitas semanas já haviam passado, trazendo consigo as noites de dor e sacrifício, seguidas pelos dias de esperança e saudade dAquele Pai carinhoso, o qual depois de fazer-lhes promessas e enxugar suas lágrimas, tornara-Se invisível diante de seus olhos.

Cada dia que passava, trazia para o casal novo fardo de saudade, fazendo-os indagar a cada entardecer: - Quando beijaremos novamente Sua face? Quando seremos envolvidos por Seus braços, caminhando sob a luz de Seu amor?! Quanta saudade sentiam daquelas noites edênicas, quando adormeciam no colo macio de seu divino Pai! Mais uma semana de trabalho e lições aprendidas estava findando. O sol em seu declinar anunciava outra noite de arrependimento e de sangue inocente a banhar o altar. O silente casal estava longe de imaginar que naquela noite, o doloroso golpe que sempre era seguido pelo fogo, revelaria-lhes a face bendita do Pai. Com as mãos trêmulas, Adão ergue o cordeiro que, mudo, não faz nenhuma resistência ao ser deposto sobre o altar. Lágrimas rolam em seu rosto ao pensar que mais um inocente animal mergulhará nas odiadas trevas da morte, para com seu sangue gerar a luz. É doloroso sacrificar, mas não há outro caminho de salvação. Unicamente através do sangue derramado do cordeiro, poderão viver para contemplar no futuro a face do Pai. Num penoso esforço Adão faz cair àquela pedra pontuda sobre o cordeirinho que, num gemido de dor derrama o seu sangue. Uma Luz gloriosa logo bane as trevas inundando toda a colina com seus raios de vida. Através das lágrimas o casal então contempla em meio ao fogo do altar, o Criador. Num gesto de amor, Deus abre os Seus braços como outrora, e com um sorriso caminha para o tão almejado abraço. Sem encontrar palavras que expressem sua imensa saudade, o casal lança-se ao Seu peito e chora amargamente. O divino Pai, comovido, também chora, mas procura consolar seus filhos, com seu doce sorriso. Com emoção o casal contempla a face do Pai, envolvendo-a com beijos e carinhos. O amor deles por Ele fora intensificado pelo sofrimento. Gratos e felizes, caminham ao lado do Criador, mostrando-lhe os jardins carregados de flores e frutos. Contam-lhe das lições aprendidas junto à natureza; mostram-Lhe o rebanho domado pelo afeto.

Iluminados pela suave luz do Eterno Pai, o casal assenta-se aos Seus pés como outrora, para ouvir Seus ensinamentos. O Criador, olhando-os com ternura, passa a adverti-los do perigo. Orienta-os a respeito dos sacrifícios de cordeiros, que eram importantes no sentido de manterem sempre em mente a certeza de um Salvador vindouro que, como os cordeiros, seria sacrificado para redenção dos pecadores. Os cordeiros, contudo, não possuíam em si poder para perdoar as culpas, pois consistiam apenas símbolos do Messias Rei. Depois de serem conscientizados do perigo de apegarem-se aos símbolos buscando encontrar neles a salvação, o casal recebeu a incumbência de transmitir essas orientações aos seus descendentes. Depois de advertir o ser humano, o Criador pousando o olhar sobre as ovelhas que jaziam adormecidas junto aos seus filhotinhos, exclamou: - Como são belos os cordeirinhos! O casal, num misto de felicidade e dor acrescentou:- Eles quando acordados saltam de prazer, esquecidos de que ao nascerem e ao morrerem causam tanta dor! Depois de contemplar os cordeirinhos, Deus fitou o casal com ternura, revelando-lhes algo que os surpreendeu e alegrou: - Quando desses cordeiros trinta e seis houverem subido ao altar, os vossos braços envolverão o primeiro filho que, como eles surgirá também da dor. Esse filho em sua infância lhes trará alegria saltando como os cordeirinhos em vosso lar. Devereis instruí-lo com dedicação nas leis da harmonia, mostrando-lhes o caminho da redenção. Como vocês, ele será livre para escolher o rumo a seguir. Aceitando o ensinamento, sua vida será vitoriosa; rejeitando-o, caminhará para a derrota. Adão e Eva ouviram com alegria a promessa divina, mas ao mesmo tempo experimentaram no profundo do ser um temor ao conscientizar-se da responsabilidade que teriam. Sabiam que Satã faria todos os esforços para levar a criança prometida à perdição.

Era noite alta quando o Criador, depois de acariciar seus filhos, os deixou adormecidos sobre o gramado macio. Depois da promessa, cada cordeirinho levado ao altar fazia pulsar mais forte no ventre materno a esperança da alegria que em breve alcançariam. Trinta e seis finalmente baixaram às trevas cumprindo o tempo determinado pelo Criador em que a primeira criança receberia a luz. Com as mãos ainda manchadas pelo sangue do sacrifício, Adão amparou sua esposa que, aos pés do altar prostrou-se vencida pela dor que lhe trouxe o primeiro filho. A pequena criança não trazia na face à alegria da liberdade, mas o choro de sua prisão; Esse pranto duraria a noite inteira, não fosse o brilho daquela chama aquecida de esperança que, logo atraiu a atenção de seus olhinhos atentos. Envolvendo-o com alegria, Eva consolada de seu sofrimento, disse: "Alcancei do Senhor a promessa". Deu-lhe então o nome de Caim. Depois de envolver o filhinho com as peles macias de um cordeiro, o casal permaneceu acordado a meditar. Muitos eram os pensamentos que ocupavam suas mentes: pensamentos de alegria, de gratidão, de esperança e de anseio pelo senso da responsabilidade que agora pesava sobre seus ombros. Acariciando com ternura a pequena criança, o casal amadureceu em sua experiência, compreendendo melhor o misterioso amor de Deus que, para salvar Seus filhos, dispôs-Se a morrer em lugar deles.

Adão e Eva não estavam sozinhos em suas reflexões: todos os seres inteligentes do Universo consideravam com interesse sobre o futuro daquele indefeso bebê que no íntimo trazia um reino de dimensões infinitas, a ser disputado pelos dois poderes em luta. Quem seria o Senhor de sua vida?! Trilhariam os seus pés o caminho ascendente que leva à vida, ou a estrada descendente que termina no abismo de uma eterna morte?! Vendo a criança esboçar o seu primeiro sorriso, o casal subitamente lembrou-se da promessa do Criador que era confirmada em cada sacrifício : Ele nasceria da mulher como criança, com a missão de redimir a humanidade. Não seria Caim já o cumprimento da promessa? O infante com seus olhinhos brilhantes de alegria se parecia tanto com os cordeirinhos que nasciam e cresciam com a missão de serem sacrificados! Considerando assim, o casal apertando o filhinho junto ao peito começou a chorar sem consolo. Quão terrível, seria oferecer seu filhinho inocente ao rude altar! Para o casal compungido pela dor, surgiu em fim o brilhante sol fazendo reviver com seus cálidos raios as promessas que apontavam para um Salvador que, ainda no futuro, nasceria também da dor para cumprir o eterno plano de redenção.

Abençoada pelo Criador e envolvida pelo amor e cuidado dos pais, a criança se desenvolvia em sua natureza física e mental, tornando-se a cada dia alvo maior de uma incansável batalha entre as hostes espirituais. Adão e Eva, ansiosos por fazê-lo compreender as verdades da salvação, tomavam-no nos braços a cada alvorecer e, à beira do altar lhe apontavam o Éden distante, contando aquelas histórias de emoção às quais o pequeno Caim ainda não conseguia compreender. Qual foi a alegria daqueles pais, ao vê-lo numa manhã de sol, apontar com a mãozinha para o lar da saudade, pronunciando o nome sagrado do Criador. Emocionados tomaram-no nos braços, pedindo-o para repetir esse sublime nome que, qual chave de felicidade, sempre descerrava-lhes um paraíso de eterno amor. Todas as hostes da luz inclinaram-se com alegria ao ouvir a pequena criança pronunciar o nome do divino Rei. As semanas iam se passando trazendo consigo novas vítimas para o altar, e o pequeno Caim, alvo da atenção e cuidado de Deus, das hostes da luz e daqueles amantes pais incansáveis na missão de instruí-lo, agrupando suas poucas palavras, sempre curiosos com tudo passou a interrogar. O dia declinava quando o menino, que jazia ao colo de sua mãe, perguntou-lhe: - Mamãe, por que o sol sempre vai-se embora, deixando a gente no frio da escuridão?”Eva, surpresa contemplou seu filho, sem encontrar palavras para responder-lhe à indagação que trouxe-lhe à lembrança o passado de felicidade destruído por sua culpa. Após um momento de silêncio, beijando a face do pequeno Caim, disse-lhe: - Filhinho, um dia o sol virá para ficar, trazendo em seus raios um mundo só de harmonia; já não haverá animaizinhos a brigar, nem cordeirinhos a morrerem sobre o altar" O pequeno Caim desejando ver raiar logo esse dia, disse para sua mãe: - Mamãe, amanhã o sol nascerá no paraíso; Pede para ele ficar! Assim poderei brincar, brincar, e nunca mais dormir". Ansioso em ver raiar o dia que não teria fim, o pequenino Caim somente adormeceu após fazer sua mãe prometer que pediria ao sol para permanecer. Um novo dia de sol radiante a caminhar pelo céu surgiu para Caim, trazendo em seus raios alegria e calor. Enquanto brincava no jardim, seus olhinhos curiosos voltavam-se muitas vezes para o sol que parecia acariciá-lo com um sorriso de esperança. Vendo-o, porém, caminhar em direção do ocidente, o pequeno correu para sua mãe, perguntando-lhe: - Mamãe, ele prometeu ficar?" Eva, tomando-o nos braços, sorriu-lhe procurando fazê-lo compreender com palavras simples, enquanto apontava-lhe o paraíso distante, a história da redenção. O sol viria um dia para ficar. Caim, insatisfeito com as palavras da mãe, demonstrou não ter paciência para aguardar esse dia que jazia em distante futuro. Repetia em pranto: - "Eu quero o sol hoje, amanhã não!" Eva, pacientemente, procurou acalmar seu filho, falando sobre a luz de Deus, que pode tornar a noite em dia. Ele o amava e poderia encher seu coraçãozinho de brilho, de alegria e paciência.

Poderia assim, aguardar feliz o dia de seus sonhos. Balançando a cabecinha em rejeição ao consolo da mãe, Caim proferiu entre soluços: -"Eu quero o sol porque eu posso vê-lo, ao Eterno não". Como uma seta dolorosa às palavras de rebeldia de Caim penetraram no coração de Eva, fazendo-a chorar amargamente. Os fiéis em todo o Universo uniram-se nesse pranto. Uma tristeza infinita pairava sobre o coração do Criador rejeitado. Esboçavam-se nos gestos de Caim os primeiros passos pelo caminho descendente da rebeldia. Quantos o seguiriam rumo à morte! Inconsciente da tristeza que abatera-se sobre o reino da luz, Adão, ao ver o sol declinar no horizonte, deixou seu trabalho no campo rumando-se para casa. Tinha um cântico no coração ao caminhar para mais um encontro com os seus. Ao aproximar-se do altar, viu junto dele sua companheira prostrada em pranto. O pequeno Caim jazia também ali a chorar. Tomando-o nos braços, Adão perguntou-lhe com anseio: -"O que aconteceu meu filho?" Caim tristemente respondeu: -"Mamãe deixou o sol ir embora" Amparando o filho com seu braço esquerdo, Adão pousou sua mão direita sobre o ombro de Eva, mas não encontrou palavras para consolá-la. A frase dita por seu filhinho, pareceu rasgar-lhe o coração, fazendo-o reviver a queda. Depois de refletir, Adão sentindo-se culpado respondeu para Caim: -"Foi o papai quem deixou o sol ir embora meu filho!". Com soluços de grande tristeza, Adão uniu-se a eles no pranto. A lembrança do Salvador, contudo, o consolou. Enxugando suas lágrimas e as de seu filhinho, disse-lhe com ternura: -"Podemos nos alegrar filhinho, pois Deus prometeu fazer o sol para sempre brilhar no céu; ele será como o fogo que surge no altar, banindo as trevas da noite". Com os olhinhos voltados para o último clarão do arrebol, Caim permaneceu sem consolo. Naquele entardecer, não houve como de costume um alegre jantar. A pequena família, entristecida, permaneceu silente a meditar por longas horas, até sonolentos adormecerem sob a luz das estrelas. O inimigo e suas hostes, em sarcasmo de maldade zombaram naquela noite do sofrimento de Deus e Seus fiéis. Repetindo as palavras de rebeldia do pequeno Caim, ufanava-se como vencedor. Num desafio ao Criador pronunciou : - Veja como esse meu pequeno escravo te rejeita! O mesmo se dará com todos aqueles que hão de nascer. Estou certo de que o direito de domínio jamais sairá de minhas mãos. Todas as hostes rebeldes repetiram em eco as afrontas do enganador, humilhando os súditos da luz que sofriam do lado do Eterno. Com suas afrontas, o inimigo procurava fazer Deus desistir de Seu plano de redenção. Se isso acontecesse, seu reino de trevas se estenderia por toda a eternidade, suplantando o domínio da luz. Em resposta ao desafio do inimigo, o Eterno afirmou solenemente : - Ainda que todos me rejeitem , Eu cumprirei a promessa.

O Criador não suportava o pensamento de ver o pequeno Caim caminhar para a perdição. Por ele intercedia a cada dia, oferecendo ante a justiça o Seu sangue que verteria. Anjos poderosos guardavam-no a cada momento, espancando as trevas espirituais que o acercavam procurando torná-lo insensível aos benefícios da salvação, que eram ilustrados pelos símbolos. Adão e Eva em seu incansável ministério de amor, todos os dias ensinavam a Caim as lições espirituais ilustradas na natureza. Em cada sábado procuravam firmar em sua mente juvenil a esperança de uma vida eterna, que seria fruto do sacrifício do Salvador. Ele depois de viver uma vida sem pecado, morreria como um cordeiro , para poder expulsar para sempre as trevas. Caim comovia-se às vezes com os ensinamentos, mas quase sempre questionava vacilante. Revoltado perguntava: - Por que Samuel foi se rebelar?! Certa noite, recusando ouvir os conselhos de seus pais, os acusou de todo o mal dizendo: - Se agora não temos um sol a brilhar, é por culpa de vocês." A contemplação do Éden distante banhado em sol fez nascer no coração juvenil de Caim pensamentos de aventura. Ele começou a pensar : "Este paraíso não está tão longe como afirmam papai e mamãe. Por que esperar e sofrer tanto tempo?! Ele é tão belo! É dele que surge todos os dias o sol! Se o conquistarmos, será fácil deter a luz em sua nascente; Assim viveremos num paraíso de eterno sol. As idéias de aventura de Caim, enchiam o coração de Adão e Eva de tristeza. Viam que seu interesse era somente pelo tempo presente; ele sonhava com um paraíso de felicidade e luz conquistado por sua força. Em seus planos, não sentia necessidade de um Salvador; - Para que, se era tão jovem, inteligente , cheio de vida e ideais?- dizia.

Os dias de lutas, intercessões e sacrifícios pelo destino de Caim foram se passando. Oportunidades preciosas surgiam em cada dia diante dele para se apegar ao Salvador, mas a todas rejeitava, uma por uma. Em sua incredulidade chegou a duvidar da existência desse Deus, o qual jamais vira. Aos pais que, aflitos, mas sempre com paciência, procuravam livrá-lo da perdição para a qual estava caminhando, prometeu um dia, após sorrir com ar de incredulidade, crer no Criador e em Seu plano de salvação, caso Ele se tornasse visível na hora do sacrifício. Com ardente fé, aqueles pais passaram a clamar ao Eterno. Sua presença visível poderia, quem sabe, salvar aquele filho querido que a cada dia tornava-se mais rebelde. O Criador ouviu o clamor dos pais aflitos. Embora soubesse que Sua aparição dificilmente quebraria no coração do jovem Caim seu espírito rebelde, estava disposto a cumprir o pedido. Estenderia os braços amigos a Caim, procurando com amor conquistar-lhe o coração. Como conhecia os seus anseios e sonhos de aventura, facilmente poderia identificar-Se com ele, cativando-o, pois era também Alguém que sempre carregara no peito sonhos de aventura.

 Não fora a criação do Universo uma grande aventura?! Não fora o Seu sonho vê-lo cravejado de sóis fulgurantes, iluminando bilhões de mundos com o seu brilho?! Não era também o Seu maior atravessar o vale da morte, em busca da conquista do Éden distante, prendendo para sempre o Sol em seu céu?! Tinham muita coisa em comum! Caim estava curioso naquela sexta-feira. Na face dos pais, via ânimo e alegria, frutos de uma fé grandiosa. Incentivado por essa expressão de confiança, o jovem passou a ajudá-los nos preparativos para o santo sábado. O Sol finalmente esquivou-se rolando para o poente, deixando como de costume seu rastro de saudade que anunciava medo. Em meio às trevas, Caim discerniu o vulto branco do cordeiro sendo erguido para o altar pelas mãos do pai - esse incansável sacerdote que sempre estava implorando ao Criador pela salvação de seu amado filho. Com a mão erguida, Adão preparava-se para o golpe que poderia, quem sabe, quebrar no coração de Caim sua incredulidade, fazendo nascer num só momento a crença na salvação. De seus lábios escapa-se então a prece da fé: - Pai Eterno, ouve o meu pedido; Meu filho precisa de Ti! Somente um olhar Teu poderá conquistá-lo. Venha Senhor!! Esta oração sincera caiu nos ouvidos daquele filho comovendo-o. Somente a prece já seria suficiente para convencê-lo da existência real de um Salvador. Enquanto enxuga as lágrimas da emoção, Caim estremece ao ouvir o ruído do golpe da morte. Tudo era solene naquele momento; Viria o Criador do mundo em resposta à oração do amor?! Como O encararia em sua incredulidade?! Um forte brilho envolveu logo toda a colina banhando também o vale oriental .Os olhos arregalados de Caim pousaram então nos olhos amáveis do Criador, que trazia na face um brilho superior ao do sol, mas não ofuscante. Contemplando-O com admiração, Caim exclamou: - Ele é jovem como eu, e se parece com o Sol! Adão e Eva, comovidos pela grande saudade tinham vontade de saltar ao peito do Salvador e beijá-Lo, mas deixaram que Ele Se encontrasse primeiro com Caim.

Com alegria, viram o precioso filho envolvido nos braços do grande amigo, que era parecido com o seu astro. Depois de longo abraço, Deus abraçou e beijou também o querido casal, companheiros no sofrimento. Com alegria, saíram a passear pelos jardins da colina. Ao centro iam o Criador e Caim, ladeados por Adão e sua companheira. Quanta felicidade experimentavam nesses passos! Estavam completos. Caim, conquistado pela afeição do Pai Eterno, mostrou-Lhe seus animais de estimação e seu pequeno jardim carregado de lindas flores. Como estava encantado por vê-los coloridos naquela noite desfeita pelo brilho do Criador, como sob a luz do dia! Parecia até mesmo que o Sol baixara a eles. Ao pensar no Sol, Caim como o amava muito, passou a falar sobre ele dizendo: - Como ele é belo e bom! Quando ele vai-se embora, deixa em suas lágrimas de sangue um sentimento de tristeza e temor. Tudo desaparece em sua ausência: os animais, o jardim; até os passarinhos silenciam os seus cantos! ...Mas basta ele dizer que vai aparecer, tudo se enche de encanto; A natureza se desperta de mansinho, parecendo ainda temer as trevas, mas quando as vê fugir , fica alerta e canta; Os animais, os passarinhos, o jardim, ...tudo volta a viver feliz! Mas, esta felicidade sempre acaba!!!

Após falar estas palavras, Caim fitando o Criador indagou curioso: - Papai sempre diz que foi você quem criou o Sol. É verdade? Com um sorriso de sinceridade Deus respondeu-lhe que sim. - Quando Você o fez no princípio, continuou Caim, ele já fugia para o poente? - Ele nunca foge, respondeu o Eterno, é o mundo quem foge dele. Ele fica triste com essa ingratidão! --Mas como? Perguntou Caim, contemplando curioso Sua face de luz. Com palavras carinhosas, Deus passou a contar-lhe a história de Lúcifer que, em sua ingratidão baniu de seus olhos e dos olhos de uma multidão de criaturas, o brilho de Sua face - o Verdadeiro Sol. Depois de assim agir, iludiu a muitos dizendo que foi o Sol quem fugiu deles. Com sua astúcia, continuou o Criador, o anjo rebelde procurou arrastar o ser humano para as trevas, e conseguiu. O Sol naquele dia, chorou tantas lágrimas de sangue, que banhou todo o céu. Em seu último suspiro de luz, porém, ele prometeu ao mundo já tomado pelas trevas, voltar um dia a brilhar para sempre, enchendo todo o seu seio de vida. Após falar-lhe estas palavras, o Eterno fitando aquele jovem, com expressão de tristeza nos olhos concluiu dizendo: - Hoje, o anjo rebelde promete a seus seguidores que irá com sua força deter o sol, mas ele jamais conseguirá realizar esse plano, pois não possui o laço que poderá detê-lo : o amor.

Cabisbaixo, Caim ouviu dos lábios do Criador essa história de promessas, a qual já se cansara de ouvir de seus pais. Essa história não lhe dava prazer, pois mostrava uma noite longa de sacrifícios sobre o altar, e de um Salvador a perecer em dor. Em realidade, Caim não via razões para tudo isso. Por que não banir logo o sofrimento colorindo as trevas de luz?! Num esforço para conquistá-lo, o Eterno com muito amor fitou aquele jovem insatisfeito, e disse-lhe que, somente o sangue de Seu sacrifício poderia fazer o Sol para sempre brilhar, num reino de eterna felicidade e paz. Não havia outro caminho para essa conquista. Por isso, deveria ser paciente, descansando-se sob o Seu cuidado. Após conversar por longo tempo com Caim, na tentativa de fazê-lo reconhecer sua necessidade de salvação, Yahweh voltando-Se para o casal, passou a consolá-los com a promessa do nascimento de outro filho.

Mais trinta e seis sacrifícios seriam contados, e seus braços envolveriam o segundo filho. Nasceria também da dor, mas traria nos olhos o brilho e o consolo da salvação. O seu testemunho de fidelidade ficaria perpetuado por todas as gerações, no símbolo de um altar coberto de sangue. As semanas iam se passando, trazendo ao casal novas de alegrias e tristezas: de um coração cheio de vida a pulsar no ventre de Eva, e de um vazio com cheiro de morte a crescer no coração do jovem Caim. Ainda que ele tenha ficado deslumbrado ante a manifestação de Deus, em nada essa aparição mudou-lhe sua maneira arrogante de pensar sobre o sentido da vida. Ele não via sentido nos sacrifícios oferecidos no altar. Nos dias que seguiram o seu encontro com o Criador, ele argumentava com os seus pais dizendo: - Se eu fosse poderoso como o Eterno, eu jamais me submeteria ao sacrifício para reconquistar o reino perdido. Ele é forte, e brilha como o sol. Ele poderia com uma só palavra expulsar todas as trevas, devolvendo-nos o paraíso. Para que tanto sofrimento?!

 Com essa argumentação, Caim supunha-se mais sábio que o Criador. Quem sabe, num próximo encontro teria oportunidade de aconselhá-Lo. Dessa forma, o jovem Caim aprofundava-se cada vez mais no abismo do orgulho e do egoísmo - lugar de ilusões para onde se ia, pensando estar caminhando para a vitória. Não fora Lúcifer juntamente com um terço das hostes celestes atraídos por essa mesma ilusão?! O bondoso Deus, todavia, não selaria o destino de Caim sem antes procurar de todas as formas salvá-lo da ruína eterna. Essa graça imerecida, fruto do divino amor, seria concedida a todo o ser humano que viesse a nascer neste mundo.

CONTINUA...

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